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Vá para o Inferno, Ex-Marido! romance Capítulo 547

Vitória planejava sair de fininho, na ponta dos pés, para deixar o casal a sós.

O filho finalmente estava agindo como homem apaixonado, e ela não seria a sogra inconveniente a atrapalhar. Mas, ao tocar na maçaneta, o caos explodiu no corredor.

— Ei, mudinha! Você não tem olhos na cara? Ou é uma vaca cega que sai atropelando tudo? Qual é o seu problema?

"Mudinha"?

O sangue dos três gelou instantaneamente. Estavam falando de Tânia.

Amélia abriu a porta com violência e saiu.

No corredor, Lucas protegia Tânia com o próprio corpo, encarando Sebastião com a fúria de um pequeno leão.

— Estávamos brincando e não vimos você. Eu peço desculpas pela minha irmã, mas você vai pedir desculpas para ela agora! Quem você pensa que é para chamá-la de mudinha?

Lucas podia ser pequeno, mas sua aura era gigantesca. Ninguém tocava na irmã dele.

Sebastião olhou para baixo, com o desprezo típico dos covardes:

— Que lindo, o irmãozinho protetor. Mas eu menti? Ela é uma mudinha inútil. Mande ela falar alguma coisa. Se ela abrir a boca e disser uma frase, eu peço desculpas.

O rostinho de Tânia estava vermelho de humilhação, os punhos cerrados.

— Seu desgraçado! Já que não entende linguagem humana, não vou gastar saliva!

Lucas não esperou. Lançou uma voadora direto no peito de Sebastião.

O golpe foi preciso. Sebastião, pego de surpresa pela audácia da criança, cambaleou e caiu de costas no chão, com um baque surdo.

Sebastião estava atordoado. Como um moleque tinha tanta força?

Mas os herdeiros da família Vieira treinavam artes marciais desde o berço. Aquele chute tinha técnica.

— Moleque maldito! Você teve coragem de encostar em mim? Eu vou te colocar no seu lugar!

— A família Vieira não faz distinção de gênero, mas uma bisneta muda? Isso é uma vergonha para o nosso nome.

Sebastião sorriu, venenoso:

— Nem sabemos de quem ela é filha. Vai ver a mãe também é defeituosa. Muda gera muda. Criança sem mãe é assim mesmo, selvagem, não sabe nem pedir desculpas.

Tânia tremia de raiva e dor.

[Minha mamãe não é muda! Não é!]

Ela gesticulava freneticamente, os olhos de corça transbordando lágrimas.

Amélia tentou acalmá-la, mas Tânia sinalizou para ela, desesperada:

[Amélia, a Tânia não é uma criança sem mãe. A Amélia é a mamãe da Tânia, não é?]

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