Vitória revirou os olhos com tanta força que quase doeu. "Tomara que os ancestrais levantem do túmulo mesmo", pensou. "Alguém precisa arrastar esse velho crápula de volta para o inferno."
O problema não eram os mortos, era esse "morto-vivo" que reapareceu depois de cinquenta anos, trazendo a tiracolo o fruto de sua traição para roubar o patrimônio da família.
Natanael continuou, a voz cheia de uma autoridade que ele não merecia:
— Escutem bem. Não permitirei que o Grupo Vieira seja liderado por um inválido, nem que tenhamos uma muda manchando nossa linhagem. Afonso, entregue a presidência imediatamente. Se fizer isso, permito que continuem morando aqui. Se resistirem, colocarei todos vocês na rua.
Vitória soltou uma risada incrédula. A audácia daquele homem não tinha limites.
— "Sr. Patriarca", quando o senhor abandonou esta família, o Grupo Vieira nem existia. Tudo o que temos foi construído com o suor da minha sogra, do meu marido e do meu filho. Com que direito o senhor traz esse bastardo para exigir o trono?
A verdadeira dona de tudo era Adriana. E ela estava viva.
Natanael estreitou os olhos:
— Está insinuando que minha palavra não vale nada? Que só a de Adriana conta?
— O mundo inteiro sabe que a Dama de Ferro Adriana fundou este império — retrucou Vitória. — O senhor é apenas uma nota de rodapé na história dela.
Ela não deixaria aquele velho imundo entregar o legado do marido para o neto da amante.
— Você é insolente demais! — gritou Sebastião.
— Traga sua avó aqui — ordenou Natanael ao neto.
— Agora mesmo.
Vitória franziu a testa. "Avó"? Que piada.
Adriana entrou na sala, parecendo confusa com a aglomeração.
— O que está acontecendo? Por que essa gritaria?


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