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Vá para o Inferno, Ex-Marido! romance Capítulo 580

Ela odiava mostrar fraqueza.

O clique da porta fechando ecoou no silêncio.

Na escuridão, a respiração dos dois parecia mais alta.

— Por que trancou? — perguntou Amélia.

Ela só pedira para não acender a luz.

— Se eu deixar aberta, vai virar uma procissão aqui. Vitória e as crianças querem te ver. Estão preocupados porque você não jantou.

Amélia sentiu um aperto no peito.

— Todo mundo se preocupa comigo... Eu não mereço isso.

Desde que entrara na família Vieira, descobriu o que era afeto.

Sua família biológica a rejeitara. A família Barros a torturara.

Mas os Vieira... eles a acolheram.

Mas ela não pertencia àquele mundo. Era tudo um empréstimo.

A garganta dela fechou. O álcool parecia querer voltar.

— Pare de dizer que não merece — a voz de Afonso soou ríspida, quase irritada. — Você é da família.

Família.

A palavra ecoou na mente turva dela.

— Acho que bebi demais... — murmurou Amélia, tentando desviar do assunto emocional.

— Não devia beber sozinha no escuro. Nós estamos aqui, Amélia. Reais. Ao seu lado.

— Eu tô bem. O vinho da Dona Vitória é ótimo. Eu só... exagerei.

Ela tentou se levantar para provar sua sobriedade.

Má ideia.

O chão pareceu inclinar. Suas pernas falharam.

Antes que ela beijasse o chão, braços fortes a envolveram.

Amélia tentou se afastar, o pânico e a vergonha se misturando.

Mas Afonso não a soltou.

Com os olhos fixos nos dela, ele levou a garrafa à boca e bebeu um longo gole.

No mesmo lugar onde os lábios dela haviam tocado.

Um beijo indireto.

Amélia perdeu o equilíbrio novamente, e ele a trouxe de volta para si com força.

A testa dela bateu no peito dele.

Afonso soltou um gemido baixo, rouco.

Aquele som vibrou pelo corpo de Amélia, mais inebriante que qualquer álcool.

O quarto girava. A temperatura subia.

E o perigo nunca fora tão atraente.

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