— Isso deve ser um aviso do seu pai para a gente vazar. Vamos! — decretou Vitória.
— Mas vovó, a gente ainda não ouviu nada interessante! — reclamou Lucas.
O menino parecia um filhote de husky teimoso, tentando colar o ouvido na fresta, mas Vitória o agarrou pelo colarinho.
— Criança não tem que ouvir "coisa interessante"! Anda, circula, circula!
Vitória arrastou os dois netos pelo corredor, correndo para não ser pega em flagrante. Se o filho abrisse a porta agora, o clima ficaria insustentável.
O importante era não atrapalhar o destino!
Dentro do quarto, Afonso ouviu os passos se afastando e relaxou a tensão dos ombros.
Quando arremessou a garrafa, ele teve o cuidado de cobrir as orelhas de Amélia, protegendo-a do som agudo. Mesmo assim, ela percebeu a vibração.
— Que barulho foi esse? Quebrou alguma coisa? Fui eu? — balbuciou ela.
Na confusão da embriaguez, Amélia assumiu a culpa.
O quarto pertencia à família Vieira. A decoração era caríssima. A ideia de ter quebrado algo valioso a deixou em pânico.
Como um pássaro assustado, ela deu um salto, tentando sair do colo de Afonso.
Afonso não esperava aquela reação brusca. O chão estava coberto de cacos de vidro.
— Cuidado!
Com reflexo rápido, ele se lançou sobre ela, derrubando-a de volta na cama para evitar que ela pisasse no vidro.
O impacto contra o colchão deixou Amélia ainda mais tonta, o mundo girando em espiral.
— Afonso... acho que bebi demais. Tive uma alucinação... eu vi você ficar de pé.
O coração de Afonso parou por um segundo.
No desespero para salvá-la dos cacos, ele tinha se levantado instintivamente.
Ele contava com a escuridão e a embriaguez dela para encobrir o ato.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
Por favor, atualizem o livro....