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Vá para o Inferno, Ex-Marido! romance Capítulo 582

— Isso deve ser um aviso do seu pai para a gente vazar. Vamos! — decretou Vitória.

— Mas vovó, a gente ainda não ouviu nada interessante! — reclamou Lucas.

O menino parecia um filhote de husky teimoso, tentando colar o ouvido na fresta, mas Vitória o agarrou pelo colarinho.

— Criança não tem que ouvir "coisa interessante"! Anda, circula, circula!

Vitória arrastou os dois netos pelo corredor, correndo para não ser pega em flagrante. Se o filho abrisse a porta agora, o clima ficaria insustentável.

O importante era não atrapalhar o destino!

Dentro do quarto, Afonso ouviu os passos se afastando e relaxou a tensão dos ombros.

Quando arremessou a garrafa, ele teve o cuidado de cobrir as orelhas de Amélia, protegendo-a do som agudo. Mesmo assim, ela percebeu a vibração.

— Que barulho foi esse? Quebrou alguma coisa? Fui eu? — balbuciou ela.

Na confusão da embriaguez, Amélia assumiu a culpa.

O quarto pertencia à família Vieira. A decoração era caríssima. A ideia de ter quebrado algo valioso a deixou em pânico.

Como um pássaro assustado, ela deu um salto, tentando sair do colo de Afonso.

Afonso não esperava aquela reação brusca. O chão estava coberto de cacos de vidro.

— Cuidado!

Com reflexo rápido, ele se lançou sobre ela, derrubando-a de volta na cama para evitar que ela pisasse no vidro.

O impacto contra o colchão deixou Amélia ainda mais tonta, o mundo girando em espiral.

— Afonso... acho que bebi demais. Tive uma alucinação... eu vi você ficar de pé.

O coração de Afonso parou por um segundo.

No desespero para salvá-la dos cacos, ele tinha se levantado instintivamente.

Ele contava com a escuridão e a embriaguez dela para encobrir o ato.

Ela franziu a testa, frustrada.

As mãos de Amélia subiam cada vez mais alto pela coxa dele. A situação estava ficando perigosa para o disfarce — e para o autocontrole — de Afonso.

— Está tarde. Amanhã você examina.

Nesse instante, um trovão estremeceu a casa, e um relâmpago rasgou o céu através da janela.

Amélia agarrou a mão de Afonso com força, tremendo:

— Não vai! Tenho medo do escuro.

Ela, que sempre dormia com uma luzinha noturna, tinha insistido em não acender a luz para esconder sua vergonha, mas o medo de tempestade era primal.

— Eu não vou. Fico aqui com você.

Amélia assentiu, aliviada. Afonso a observou no escuro, grato por seu segredo estar salvo por enquanto.

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