— Não se preocupe, o Daniel Dias vai ficar bem.
Sérgio Barros tentava consolar Amélia Moraes, mas a ansiedade a consumia. Eles não podiam ficar ali parados esperando a morte; precisavam encontrar uma saída.
Amélia tentou escalar as vinhas que pendiam da abertura, mas elas eram frágeis demais e não suportariam seu peso. Ela vasculhou cada canto daquela caverna úmida em busca de ferramentas, qualquer coisa útil, mas o lugar estava vazio, exceto por pedras e terra.
Desesperada, Amélia gritou por socorro, sua voz ecoando nas paredes de pedra, mas o fundo do buraco era profundo demais. Era improvável que alguém lá em cima os ouvisse.
— Amélia, guarde suas energias. Gritar assim é inútil, ninguém vai ouvir — disse Sérgio, resignado.
Agora, restava apenas esperar que alguém notasse o desaparecimento deles.
Amélia, incapaz de ficar parada, continuou revirando o chão da caverna. Sérgio a observava, intrigado.
— O que você está fazendo? Deveríamos estar fazendo algo para facilitar o resgate.
Amélia ignorou o comentário e continuou focada: precisava encontrar algo inflamável. Se conseguisse fazer uma fogueira, a fumaça subiria e sinalizaria a posição deles.
Sérgio observou enquanto ela juntava gravetos secos caídos no chão. Amélia levantou os olhos para ele.
— Tem um isqueiro?
— Não... não tenho.
Ao ouvir a negativa, Amélia não se abalou. Preparou-se para usar o método mais primitivo: friccionar madeira para criar faísca.
Sérgio a observava com uma mistura de admiração e culpa. Desde que caíram, ela não parou um segundo sequer. Estava sempre buscando uma saída, uma solução, tentando salvar a si mesma e a ele. Mas não havia lhe dirigido uma palavra que não fosse estritamente necessária. Fazia muito tempo que não ficavam sozinhos assim.
Vendo o esforço dela, Sérgio ofereceu:
— Deixa que eu faço isso.
— Não precisa.
A resposta foi seca. Amélia tentava desesperadamente fazer o fogo pegar, mas, após muito esforço, nem uma fumaça apareceu. Ainda assim, ela não desistia.
Amélia encarou Sérgio Barros com dureza.
— Você sabe onde o Daniel está, não sabe?
— Já mandei gente procurá-lo na área de camping. Se meu palpite estiver certo, ele está lá.
— Se você sabia onde ele estava, por que me arrastou para essa busca inútil no meio do mato?
— Porque eu sei que o que ele mais queria era ver o pai e a mãe acampando aqui com ele. Eu não sei como ele teve a coragem de vir sozinho, mas eu sabia que você jamais viria comigo se eu apenas pedisse. Eu só queria realizar o desejo dele... mas não imaginei que cairíamos nesse buraco.
— Sérgio, você é inacreditável... É melhor que o Daniel esteja bem, ou eu nunca vou te perdoar.
Amélia estava furiosa, mas sentia mais raiva de si mesma por ter caído na armadilha emocional deles novamente.
— Nós nos arrependemos, Amélia. Eu e o Daniel nos arrependemos de ter perdido você.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
As histórias são muito legais, o chato é que no final o aplicativo corta pela metade cada capítulo, vc fica sem entender pois, corta o final já começa o outro com outra coisa,ou seja, não dá continuidade, fica sem contexto....
Bem chegou a hora dos amigos da Amélia, os velhinhos da casa de repouso , que comandam tudo por fora, até mesmo no submundo, começar a agir, hora de acabar com a cobra da Nádia e Natanael e de quebra é claro Cláudia e seu filho covarde Sérgio ex da Amélia que fez da vida dela um inferno....
Por favor, atualizem o livro....