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Vá para o Inferno, Ex-Marido! romance Capítulo 701

— Não se preocupe, o Daniel Dias vai ficar bem.

Sérgio Barros tentava consolar Amélia Moraes, mas a ansiedade a consumia. Eles não podiam ficar ali parados esperando a morte; precisavam encontrar uma saída.

Amélia tentou escalar as vinhas que pendiam da abertura, mas elas eram frágeis demais e não suportariam seu peso. Ela vasculhou cada canto daquela caverna úmida em busca de ferramentas, qualquer coisa útil, mas o lugar estava vazio, exceto por pedras e terra.

Desesperada, Amélia gritou por socorro, sua voz ecoando nas paredes de pedra, mas o fundo do buraco era profundo demais. Era improvável que alguém lá em cima os ouvisse.

— Amélia, guarde suas energias. Gritar assim é inútil, ninguém vai ouvir — disse Sérgio, resignado.

Agora, restava apenas esperar que alguém notasse o desaparecimento deles.

Amélia, incapaz de ficar parada, continuou revirando o chão da caverna. Sérgio a observava, intrigado.

— O que você está fazendo? Deveríamos estar fazendo algo para facilitar o resgate.

Amélia ignorou o comentário e continuou focada: precisava encontrar algo inflamável. Se conseguisse fazer uma fogueira, a fumaça subiria e sinalizaria a posição deles.

Sérgio observou enquanto ela juntava gravetos secos caídos no chão. Amélia levantou os olhos para ele.

— Tem um isqueiro?

— Não... não tenho.

Ao ouvir a negativa, Amélia não se abalou. Preparou-se para usar o método mais primitivo: friccionar madeira para criar faísca.

Sérgio a observava com uma mistura de admiração e culpa. Desde que caíram, ela não parou um segundo sequer. Estava sempre buscando uma saída, uma solução, tentando salvar a si mesma e a ele. Mas não havia lhe dirigido uma palavra que não fosse estritamente necessária. Fazia muito tempo que não ficavam sozinhos assim.

Vendo o esforço dela, Sérgio ofereceu:

— Deixa que eu faço isso.

— Não precisa.

A resposta foi seca. Amélia tentava desesperadamente fazer o fogo pegar, mas, após muito esforço, nem uma fumaça apareceu. Ainda assim, ela não desistia.

Amélia encarou Sérgio Barros com dureza.

— Você sabe onde o Daniel está, não sabe?

— Já mandei gente procurá-lo na área de camping. Se meu palpite estiver certo, ele está lá.

— Se você sabia onde ele estava, por que me arrastou para essa busca inútil no meio do mato?

— Porque eu sei que o que ele mais queria era ver o pai e a mãe acampando aqui com ele. Eu não sei como ele teve a coragem de vir sozinho, mas eu sabia que você jamais viria comigo se eu apenas pedisse. Eu só queria realizar o desejo dele... mas não imaginei que cairíamos nesse buraco.

— Sérgio, você é inacreditável... É melhor que o Daniel esteja bem, ou eu nunca vou te perdoar.

Amélia estava furiosa, mas sentia mais raiva de si mesma por ter caído na armadilha emocional deles novamente.

— Nós nos arrependemos, Amélia. Eu e o Daniel nos arrependemos de ter perdido você.

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