— Cafajeste ou não, cair aqui foi o destino! É um sinal para voltarmos, para lembrarmos dos momentos doces que tivemos!
Sérgio tentava forçar um beijo na boca dela. Amélia lutava com todas as forças, o asco subindo pela garganta. Sua mão tateou o chão e encontrou uma pedra afiada. Sem hesitar, ela golpeou a cabeça de Sérgio com violência.
Ele gritou de dor e afrouxou o aperto. Amélia aproveitou a chance para se arrastar para longe, ofegante.
Sérgio tocou a cabeça, sentindo o sangue, atordoado. Não esperava que ela fosse capaz de agredi-lo com tanta raiva.
— Isso tudo é para se guardar para o Afonso? Você esqueceu que já foi minha? Que já pariu um filho meu? Que sentido faz bancar a difícil agora?
— Cale essa boca imunda! Sérgio, se eu soubesse que nosso fim seria esse, eu preferia que você nunca tivesse me salvado naquele dia!
A determinação nos olhos dela fez o coração de Sérgio falhar uma batida. A história deles começou quando Amélia foi vendida pelo pai adotivo para um velho rico. Naquela noite, Sérgio a salvou, tomou-a para si e a levou para a mansão dos Barros. Mas nunca a valorizou.
— O nosso passado te dá tanto nojo assim? Preferia ter se entregado para aquele velho babão do que começar uma vida comigo?
— Sim! Exatamente! Se você não tivesse me "salvado", eu teria perdido apenas a dignidade do corpo, mas não teria tido a alma estraçalhada! Eu não teria me tornado essa pessoa cheia de cicatrizes, sem coragem nem para amar de novo!
A voz de Amélia cortava como navalha. Sérgio ficou em silêncio, os olhos injetados de sangue e dor.
— Você acha que não merece o Afonso, é isso? Porque foi casada comigo, porque teve meu filho... você se sente suja para ele?
— Sinto! — Amélia sustentou o olhar, firme. — O Afonso é uma pessoa de luz, ele merece alguém inteira, não alguém quebrada como eu. Eu não tenho o direito de manchar a vida dele com os meus traumas!
Sérgio nunca sentiu uma dor tão aguda. Ouvir da boca dela aquele amor profundo e reverente por Afonso, aquele cuidado de quem ama a ponto de se anular... era torturante.
Amélia dizia aquilo de propósito. Queria que ele entendesse, de uma vez por todas, que não havia volta.
— Não! Você ama a mim! É a mim que você ama!



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
Bem chegou a hora dos amigos da Amélia, os velhinhos da casa de repouso , que comandam tudo por fora, até mesmo no submundo, começar a agir, hora de acabar com a cobra da Nádia e Natanael e de quebra é claro Cláudia e seu filho covarde Sérgio ex da Amélia que fez da vida dela um inferno....
Por favor, atualizem o livro....