— Sérgio, sua pulsação está crítica. Acabou a brincadeira. Se você armou isso tudo, deve ter um rádio, um sinalizador, alguma coisa! Chame seus homens agora!
Amélia estava à beira de um ataque de nervos. Sem suas agulhas de acupuntura e sem ervas, todo o seu conhecimento milenar era inútil.
Sérgio soltou uma risada que mais parecia um lamento.
— É... eu armei tudo. Mas dei ordem expressa para não nos incomodarem. Achei que hoje à noite eu reconquistaria você. Em vez disso, conquistei um caixão. Se isso vazar, vou virar piada nacional.
Amélia percebeu o peso da situação. Ele realmente tinha se encurralado na própria armadilha. A mordida da cobra foi o único fator aleatório que destruiu o plano.
— Você é louco! Você sempre foi um homem sério, Sérgio! Desde quando faz essas molecagens? Jogou sua vida fora por uma estupidez!
— Pois é... eu nunca fui disso. Mas eu te perdi, Amélia. E para te ter de volta, achei que valia qualquer coisa. Queria criar um momento mágico, romântico... acabei criando meu próprio funeral. Daqui a uns anos, quando você lembrar disso... será que vai rir? Será que vai te trazer alguma alegria lembrar de quão patético eu fui por você?
— Alegria? Ver você morrer na minha frente? Como isso poderia me trazer alegria?
— Amélia... eu fui picado para te salvar. Então, se eu morrer... você poderia, por favor, não me esquecer completamente?
A voz dele era um sussurro implorante. Amélia nunca tinha visto Sérgio Barros, o arrogante herdeiro, tão humilde e vulnerável. Durante cinco anos de casamento, ele sempre foi um rei intocável.
Agora, ele implorava por um espaço na memória dela.
Um nó se formou na garganta de Amélia.
Amélia sentiu vontade de gritar. Ele estava delirando, o veneno estava afetando o cérebro.
Ela empurrou a mão dele e levantou-se novamente, vasculhando as paredes da caverna em desespero, arranhando a pedra, buscando um milagre que não existia.
Não podia ser. Não podia acabar assim.
Uma sensação de impotência, fria e viscosa como a cobra, apertou o coração de Amélia.
Foi quando ouviu a voz de Sérgio, agora um fio quase inaudível:
— Estou... estou com tanto frio. Amélia... me abraça.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
As histórias são muito legais, o chato é que no final o aplicativo corta pela metade cada capítulo, vc fica sem entender pois, corta o final já começa o outro com outra coisa,ou seja, não dá continuidade, fica sem contexto....
Bem chegou a hora dos amigos da Amélia, os velhinhos da casa de repouso , que comandam tudo por fora, até mesmo no submundo, começar a agir, hora de acabar com a cobra da Nádia e Natanael e de quebra é claro Cláudia e seu filho covarde Sérgio ex da Amélia que fez da vida dela um inferno....
Por favor, atualizem o livro....