Daniel percebeu que, naquela época, sua mãe nunca sorria daquele jeito radiante dentro da mansão Barros. E a culpa, ele agora via, era do ambiente tóxico onde viviam.
A avó e Nádia sempre encheram sua cabeça dizendo que ele era o herdeiro, o pequeno príncipe do Grupo Barros, e que deveria desprezar a mãe "suburbana". Ele tentou ser o que elas queriam, mas agora percebia que nada daquilo preenchia o vazio. Ele só queria chegar em casa e ter mãe e pai, ter um lar de verdade.
Ouvindo o desabafo do filho, Amélia sentiu um aperto agridoce no peito. Todo o amor que ela doara não tinha sido completamente em vão; ele se lembrava.
Cláudia, enfurecida pela traição do neto, levantou a mão para bater no rosto de Daniel.
Lucas, ágil, interceptou o movimento:
— O que você pensa que está fazendo? Vai bater numa criança na frente de todo mundo? Polícia! Levem essa velha louca daqui!
Os policiais, que já haviam chegado, se aproximaram.
— Quem chamou a viatura?
— Fomos nós — disse Amélia. — Temos uma cliente tentando sair sem pagar e agredindo uma criança.
O policial encarou Cláudia:
— A senhora tem idade para ter juízo. O que está acontecendo aqui?
Cláudia, percebendo que a situação fugira do controle, tentou mudar a narrativa:
— Seu guarda, não se deixe enganar por essa mulherzinha! Eu não estou fugindo, eu só me recusei a pagar porque a comida está estragada!
— A comida não está estragada! — interrompeu Daniel, com a voz firme. — Está deliciosa. Eu amei.
Cláudia quase engasgou de ódio. O próprio neto testemunhando contra ela.
— O neto da senhora diz que a comida está ótima — disse o policial, cruzando os braços. — Isso configura tentativa de calote e difamação. É melhor a senhora pagar e sair pacificamente, ou vai ter que se explicar na delegacia.
Suando frio e humilhada diante de dezenas de câmeras de celulares, Cláudia cedeu:
— Tudo bem, foi um mal-entendido! Eu pago!

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
Por favor, atualizem o livro....