Wilson encarou Fernando com um olhar gelado:
— Nós vamos investigar cada detalhe. Se a morte da minha irmã não foi um acidente e tiver o dedo de vocês, eu garanto que você não escapa.
— Podem investigar à vontade! Ela morreu afogada mesmo, tentando pegar peixe praquela velha. Podem ir na cadeia perguntar pra ela. Desde que aquela mulher foi presa, eu nem a vi, não teria como a gente combinar mentira. A culpa é toda daquela velha maldita. Ela trocou as crianças escondida, tratava a menina mal e a coitada ainda morreu tentando agradar ela. Uma tragédia!
— Aaaaaah! — Karina soltou um uivo de dor insuportável. Como sua filha podia ter tido um destino tão cruel? Aquilo só podia ser um castigo divino.
Igor tentava amparar a esposa, enquanto Fernando continuava a falar, sem um pingo de empatia:
— Depois que a menina morreu, a velha foi queimar as roupas dela e achou a Amélia abandonada lá perto. Trouxe pra casa e criou. A Amélia também era boazinha, fazia sopa de peixe pra velha igual a outra... A gente até achou que era espírito encostado. Como na época a vila dava um auxílio de dez mil para quem tinha duas filhas, a gente ficou com ela.
— Vocês usaram minha filha... e ela morreu por causa daquela mulher...
— Levem ele daqui! Entreguem para a polícia. Quero uma investigação completa!
Wilson consolou os pais:
— Nós vamos descobrir a verdade e fazer quem machucou minha irmã pagar caro.
No fundo, eles já sabiam. O cenário era claro e brutal: a filha verdadeira foi trocada, viveu na miséria e morreu aos 13 anos tentando alimentar a sequestradora. Amélia entrou na história depois, como uma substituta conveniente. Amélia não era sangue do sangue deles.
Um silêncio fúnebre tomou conta da mansão da família Sousa. Todos tinham o coração em pedaços.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
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