Wilson se sentiu o pior homem do mundo. Queria acolher aquelas crianças, dar chocolate quente e abraços, mas sabia que a família Vieira viria atrás deles fazendo um escândalo, e Amélia, em seu estado frágil, não suportaria mais um barraco na porta de casa.
— Vocês são crianças de ouro — sussurrou ele para si mesmo. — Vou pedir para o motorista seguir vocês de longe até chegarem em segurança.
— Tio, não precisa se incomodar. A gente sabe o caminho. Não queremos causar problemas. — disseram eles, com uma maturidade que partia o coração.
Pouco depois que as crianças dobraram a esquina e sumiram de vista, o carro esportivo de Afonso freou bruscamente em frente ao portão.
Nádia desceu do carro como se fosse a dona do mundo, gritando:
— Amélia! Apareça! Devolva o Lucas e a Tânia agora!
Amélia saiu de casa, atraída pela gritaria. Ao ver Afonso e, ao lado dele, aquela mulher vestindo sua roupa, ela sentiu uma náusea profunda. Era patético.
O ditado "a fila anda" nunca foi tão real e cruel. Mal ela tinha saído, e a outra já estava vestindo suas roupas, ocupando seu espaço.
Amélia soltou uma risada fria, carregada de desprezo:
— Ora, ora... Neusa. Eu não sabia que a poderosa senhorita da família Paiva estava passando por tamanha necessidade financeira. Precisa usar meus restos? Roupa velha que eu deixei para trás agora virou artigo de luxo para você?
Nádia sabia que Amélia estava furiosa com a afronta, e isso a deliciava.
— Eu vou me casar com o Afonso, querida. Tudo o que é da família Vieira agora é meu por direito. Uso o que eu quiser, a hora que eu quiser. — Ela alisou o tecido do vestido com provocação. — Diferente de certas pessoas que foram chutadas e nunca mais colocarão os pés lá.
Afonso permanecia ao lado, com o rosto impassível, sombrio. Ele precisava manter o teatro. Se Nádia desconfiasse, a vida da verdadeira Neusa estaria em risco.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
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