PONTO DE VISTA DE SYDNEY
Eu bati na bochecha do Mark com raiva. "Acorde! Sou Sydney, não a Bella."
Soltei um grunhido alto, empurrando os ombros dele mais uma vez, tentando afastá-lo de mim. Depois, deixei meus ombros caírem enquanto soltava um suspiro resignado.
Como ele conseguiu ficar tão bêbado assim?! Sério, só Deus sabe.
Depois de quase me matar de susto chamando "esposa" com aquele sorriso bobo de bêbado, ele desabou sobre meu peito. E, olha, vou te contar, não é leve, não.
Estava quase impossível respirar com a cabeça dele esmagando meu tórax. E aqueles roncos que saíam da garganta dele só deixavam tudo ainda mais insuportável.
"Mark! Pelo amor de Deus!" gritei, já no limite. Eu estava cansada demais pra lidar com isso tudo. Só queria voltar pra casa, me trancar no meu quarto e finalmente descansar, ganhar um pouco de energia pro dia seguinte. Mas não. Aqui estava eu, esgotando meu cérebro, pensando em como me livrar desse peso morto e tentando empurrar os ombros dele, de novo e de novo.
Meus olhos percorreram rapidamente o cômodo mal iluminado, esperando que alguma daquelas sombras estranhas fosse um dos empregados da casa, mas não… as sombras continuavam paradas, feitas de pedra.
Joguei meu celular no sofá ao lado. Reuni toda a força que consegui juntar, contraí o abdômen e empurrei com tudo. Ele caiu no chão com um baque alto.
Arfei e pulei da cadeira, sugando o ar com força. Meu Deus, como alguém consegue ser tão pesado?
Peguei meu celular e acendi a lanterna. A luz revelou o que já era óbvio: ele estava no chão, encolhido, soltando gemidos baixos e doloridos. Parecia tão vulnerável, como um recém-nascido.
Meu coração amoleceu, e decidi colocá-lo na cama.
Abaixei-me ao lado dele e bati de leve no braço dele. "Mark," chamei suavemente. "Mark." Repeti seu nome umas dez vezes, mas nada dele reagir.
Minha paciência estava se esgotando. Trincando os dentes, dei um tapa nas costas dele, e ele acordou com um pulo, como se tivesse sido afogado e acabasse de voltar à superfície.
Ele virou pra mim, os olhos turvos. "Sydney."
Dei um passo atrás. Foi meio chocante que ele me reconhecesse nesse estado de embriaguez.
"Sim, Mark? Sou eu, Sydney. Agora me diga: o que você tem a dizer sobre isso, hein? Ficar bêbado como um adolescente de coração partido," comecei a falar sem parar enquanto colocava um dos braços dele em volta dos meus ombros. Soltando um grunhido frustrado, forcei nossos corpos de pé. Cambaleamos um pouco, mas conseguimos nos equilibrar.
"Muito bem", murmurei, "Agora vamos te colocar na cama," falei num tom que parecia que estava lidando com uma criança de três anos.
Lentamente e com muito esforço, conseguimos chegar ao quarto dele.
Enquanto estávamos no batente da porta, dei uma olhada ao redor do cômodo. As únicas palavras que podiam descrevê-lo eram "sem graça" e "ordenado".
Chegamos à cama, e eu consegui deitar Mark de forma decente.
"Agora posso finalmente dormir!" falei, me virando para sair do quarto.
Um grito escapou da minha boca quando senti as mãos dele fecharem em volta do meu pulso. Girei a cabeça na direção dele enquanto algumas mechas de cabelo caíam no meu rosto. Instintivamente, tentei puxar meu braço, mas a voz dele me congelou.
"Não vá." Eu diria que era o tom mais baixo e suave que já ouvi sair dele. "Não me deixe." Então, a outra mão dele subiu e acariciou a minha mão.
Me afastei de repente, odiando como aquelas palavras dele estavam mexendo comigo.
"Sydney…"
Dei uma risada nervosa, tentando quebrar o clima estranho. "Calma, eu não vou embora. Só vou te trazer um copo d'água." Seus dedos soltaram meu pulso, e me pus de pé. "Pelo menos, isso deve te ajudar a ficar sóbrio mais rápido, e aí eu também posso dormir," completei, mas ele já estava roncando de novo.
Assim que saí do quarto, peguei o celular e, furiosa, passei os olhos pela lista de contatos até encontrar o número dela.

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