Eu fechei os olhos e murmurei: "Droga!" Por que ele tinha que acordar agora?
Bella e eu o encaramos. O olhar dela era de preocupação, enquanto o meu, eu tinha certeza, parecia querer furar um buraco nele.
"Não dê para ela," ele repetiu, olhando diretamente para mim. Ele parecia estar menos bêbado agora. Suas palavras já não estavam tão arrastadas e seu olhar parecia mais firme, pelo menos até certo ponto.
Essa sopa deve ser realmente muito eficaz, mesmo parecendo uma coisa nojenta. Fiquei cogitando perguntar para Bella qual era o segredo daquela receita.
Bella se aproximou mais dele, as sobrancelhas franzidas. "Mark," ela colocou a palma na bochecha dele, virando-lhe o rosto para ela, "você deveria descansar mais."
"Não," ele balançou a cabeça e tirou a mão dela de sua bochecha. "Eu preciso ficar acordado pra garantir que você não dê a ela." Ele piscou rapidamente por alguns segundos antes de balançar a cabeça e fixar o olhar novamente.
Algo como mágoa e confusão passou rapidamente pelo rosto de Bella. "Dar o quê? Você nem sabe sobre o que a gente tá falando. Você tava dormindo até agora."
"Eu estava, mas pedaços da conversa de vocês chegaram até mim enquanto eu dormia. Ela quer que você dê a ela 1,2 milhões de dólares. Ouvi claramente essa parte."
Eu o encarei de volta. "Eu deveria ter deixado você caído no chão," soltei, cheia de sarcasmo.
"Mark," Bella puxou o ombro dele, e ele se virou para ela. Ela olhava para mim de vez em quando com um olhar acusador enquanto falava. "Eu te falei, você nem deveria ter voltado. Ela nem quer cuidar de você. Eu precisei correr pra vir pra cá."
"Você não deveria fazer todo esse esforço quando eu tenho uma esposa que é perfeitamente capaz de cuidar de mim," ele falou entre os dentes, quase sem prestar atenção em Bella.
Soltei um suspiro irritado. Ele ficava repetindo "cuidar" como se fosse algum velhinho ou alguém gravemente doente precisando de assistência. Peguei a xícara de café vazia e me levantei para sair da sala, mas antes que eu pudesse dar sequer um passo em direção à porta, ele me puxou de volta. Os botões da camisa dele estavam desabotoados e seu peito forte estava à vista, exibido sem o menor pudor.
Eu torci o pulso, tentando me soltar, mas ele apenas me lançou um olhar furioso e me puxou para mais perto.
"Você não tem permissão pra sair! Cuidar de mim é sua responsabilidade enquanto ainda for minha esposa," ele rosnou, as sobrancelhas fechadas, "Como é que você consegue deixar outra pessoa tomar o seu lugar e fazer aquilo que é sua obrigação?"
"Porque eu não tô nem aí!" Eu joguei na cara dele. "Você acha que eu pedi pra você sair por aí bebendo? Por que eu deveria me sacrificar pra cuidar de você?"
Bella parecia em choque, como se tivesse levado um tapa no rosto, enquanto nos olhava, boquiaberta, trocando farpas a poucos centímetros um do outro.
"Eu sou seu marido!"
Soltei outro suspiro, dessa vez cheio de exasperação. "E o que é que isso muda?" Eu lancei um olhar para Bella. Então, porque ele é meu marido, ele pode me trair com minha irmã? As palavras estavam na ponta da língua, mas eu me contive. Era inútil discutir com um homem meio bêbado.
"Olha, deixa eu ir, tá bom?" Tentei argumentar, quem sabe a mente torporosa dele seria convencida. "Sim, você é o marido. Não tô dizendo o contrário."
Ele me olhou com os olhos semicerrados por um tempo, como se estivesse tentando processar o que eu disse. "Então por que você tava saindo?"
"Eu ia buscar água pra você," menti suavemente, já cansada de toda aquela confusão. Será que era tão errado assim querer um pouco de paz e descanso à noite?
Ele assentiu, mas logo voltou a estreitar os olhos de novo. Tentei desatar os dedos dele do meu pulso, mas ele não soltava.
De repente, Bella deu um passo à frente. Ela puxou a manga da camisa dele com delicadeza, como uma criança que chama pela atenção da mãe segurando na barra do vestido. "Deixa ela ir," ela murmurou, quase como um sussurro.
Ele piscou e se voltou para ela, franzindo o cenho. "Bella." Ele a olhou como se estivesse notando a presença dela pela primeira vez naquela noite. "Você não deveria ter vindo tão tarde. Deveria estar descansando em casa."
Ela passou os dedos pelo braço dele antes de envolver seus dedos ao redor do antebraço musculoso. Mark olhou para ela, seus rostos quase se tocando enquanto ela sussurrava, batendo os cílios. "Eu quero descansar com você. É a única maneira de eu conseguir relaxar."
Cerrei os dentes e tentei me soltar novamente. Por que eu sempre tinha que presenciar essas cenas tão insuportáveis?
"Você deveria ir pra casa," ele disse de forma quase indiferente, mas sem soltar meu pulso. "Te vejo amanhã."
As lágrimas começaram a brotar nos olhos de Bella, e eles demonstravam tristeza. "Eu quero que você vá comigo."
"Eu não posso sair de casa."
"Então eu fico," ela declarou, batendo o pé no chão.
"Não. Vai pra casa," ele respondeu num tom seco, surpreendendo Bella, que afastou o braço como se tivesse levado um golpe. Até eu não esperava por isso. "Vou pedir para o motorista te levar."
"Mark," Bella sussurrou, sua voz trêmula chamou nossa atenção. "Me diz!" Ela gritou de repente, com as veias do pescoço saltando e os olhos cheios de lágrimas. "Você tá apaixonado por ela?!"
O silêncio que se fez após a pergunta foi ensurdecedor. Eu me virei para Mark, que ainda encarava Bella.
De repente, ele me soltou como se a pergunta dela tivesse acionado alguma coisa dentro dele.

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