Uma hora depois que Richie saiu, eu também estava arrumando minhas coisas para ir embora.
Meu telefone tocou na mesa novamente. "Onde você está, menina?"
"Já estou a caminho, moça. Estou chegando. Relaxa, já tô indo!"
Ergui uma sobrancelha, com um sorriso nos lábios. Desde que ela me ligou, uma hora atrás, pedindo para eu ir direto à vila que dividíamos, ela não parou de me telefonar para lembrar disso. Dava pra ouvir a animação na voz dela. Mesmo agora, era impossível não notar o tom empolgado.
"Você ainda não vai me contar por quê, né?"
Prendi o celular entre o ombro e o pescoço enquanto trancava as gavetas.
"Não." A voz dela trazia um sorriso escondido.
"Hmm." Soltei um pequeno som de curiosidade. "Vamos lá, Grace, só me dá uma dica. Tô morrendo de curiosidade aqui." Peguei a caixinha de joias da mesa, coloquei na bolsa e joguei a alça por cima do ombro.
"Se você vai morrer, pelo menos chega primeiro."
Soltei uma risada alta com a resposta dela. "Tá bom, já tô indo." Tranquei a porta principal e comecei a andar até onde conseguiria pegar um táxi. "Já vou pegar um táxi agora."
"Certo. Vou esperar."
Acenei para um táxi e falei o endereço ao motorista.
Desde a última vez que fui àquela vila — quando Luigi me atacou —, surpreendentemente, não me senti hesitante em voltar lá ou até mesmo em ficar. Talvez porque agora eu sentisse que o conhecia mais... pessoalmente?
Minha mente vagou para o cartão dele, guardado com segurança na minha bolsa. Talvez eu devesse ligar para ele. Será que ele tinha se lembrado que a pessoa que ele atacou era eu? Pelo menos, eu merecia alguma explicação de por que ele estava no meu apartamento — e com uma arma apontada contra mim.
Paguei o motorista e caminhei até a entrada do nosso apartamento. Estava a poucos metros da porta quando Grace abriu-a de repente.
"Bem-vinda! Demorou o suficiente, hein."
Balancei a cabeça, rindo, "Você tá feliz que eu cheguei ou não?"
Ela revirou os olhos, brincalhona, e fez um gesto com a mão, indicando a entrada aberta. "Só entra logo."
Grace correu para nosso quarto e, quando comecei a segui-la, ela pediu que eu esperasse na sala. Com as sobrancelhas arqueadas, desconfiada, assenti e me sentei numa das poltronas acolchoadas enquanto aguardava.
"Rufem os tambores, por favor!" ela gritou, aparecendo novamente na minha frente, com as mãos escondidas nas costas.
Inclinei-me para frente e entrei na brincadeira, batendo na mesa de madeira ao lado e imitando o som de tambores com a boca.
Um sorriso gigante iluminou o rosto dela enquanto ela revelava o que escondia. "Tcharaaan!"
Fiquei boquiaberta, hipnotizada. Grace tinha um talento absurdo para criar roupas e sempre se destacava em projetos de moda, mas desta vez? Era diferente. Este vestido tinha algo especial. O decote profundo e a fenda na frente… E a renda delicada na barra? Dava uma sensação quase celestial à peça.
"Isso está incrível," sussurrei, sentindo a textura da seda com os dedos.
"Espera até eu vesti-lo," ela exclamou animada e, rapidamente, começou a se mexer para entrar no vestido. Quando se virou, ajudei com o zíper invisível.
E, meu Deus, o vestido era deslumbrante! "Grace, você tá linda!" afirmei, sinceramente impressionada.
Ela girou timidamente, com as bochechas levemente coradas. "E aí, o que achou?"
Soltei um suspiro de admiração. "Eu amei demais, Grace. Você se superou, como sempre." Afastei-me um pouco, observando-a de cima a baixo novamente.
O decote do vestido mostrava uma quantidade moderada de pele — nada vulgar, mas ainda assim elegante e sexy. Já a fenda... ah, essa era, de longe, a parte mais encantadora e atraente. Ela começava no meio da coxa, exibindo suas pernas impecáveis. E a renda na barra era como o toque final perfeito.
"É maravilhoso. A cor combina tanto com o tom da sua pele… realça ainda mais sua beleza." Então, fiz uma careta provocativa. "É uma pena que eu seja hétero, senão já teria te roubado pra mim faz tempo." E, de repente, cobri a boca com a mão, fingindo surpresa. "Ai, não!"
Os olhos de Grace se arregalaram um pouco. "O que foi?"
"Já estou apaixonada por você!" sussurrei teatralmente.
A expressão de alívio dela foi instantânea. Ela afastou minha mão, imitando minhas ações de minutos atrás. "Ai, não! Eu também já estou apaixonada por você."
Nós duas caímos na gargalhada com a dramatização.
Mais tarde, depois de eu terminar de admirar o vestido, Grace não parava de falar sobre ele.
"Então me conta," relaxei no sofá, completamente à vontade, sem pressa de voltar pra casa. "É um pedido de cliente?"
"Não," ela tirou o vestido e se ajeitou na minha frente. "Fiz pra mim mesma."
"Ahhh," arqueei as sobrancelhas, brincando. "Tem alguém especial, né?"
Grace semicerrou os olhos. "Não é exatamente novo, mas sim, tô namorando." A felicidade radiante tomou sua expressão. "O nome dele é Joel."
"Joel," repeti, assentindo.
"Ele é tão gentil e doce," ela suspirou, abraçando a si mesma, enquanto seus olhos se perdiam em algum lugar distante.
"Tá na cara que você gosta muito dele," observei, tentando arrancar mais detalhes.
"É, gosto mesmo," ela confirmou sem hesitar. "Na verdade, acho que tô apaixonada."
Meus olhos se arregalaram. "Sério?"
Ela me deu um tapa no braço, rindo. "Por isso que eu disse 'acho', sua boba. Não tenho certeza, mas casaria com ele se ele me pedisse agora. Na verdade, estou ansiosa por isso."
"Uau!" exclamei, fingindo me abanar. "Isso é muita coisa, hein."
Depois de um tempo, enquanto ela ainda falava sobre o vestido, perguntei qual seria a ocasião especial para usar aquela peça. "E então? Que ocasião é essa?"
"Meu aniversário, claro." Ela sorriu brilhante. "Ele me convidou para jantar amanhã. Disse que tem algo importante pra me contar. Quero impressioná-lo com o vestido. Espero que ele goste."
"Claro que vai gostar. Qualquer um que ver esse vestido vai amar, confia."
Sorri e, de repente, estalei os dedos, cheia de empolgação. "Que tal você fazer um vestido parecido pra mim? Preciso seduzir alguém também. Talvez aquele dono bonito do bar…"

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