— Transferência recebida: 200 mil.
A voz feminina e mecânica ecoou pelo hotel escuro. Do lado de fora da janela, o último vestígio do pôr do sol desaparecia no horizonte.
Beatriz abotoava a roupa trêmula. Ao ouvir o som do recebimento, as lágrimas caíram silenciosas no chão.
Tirar a roupa era mais fácil do que vestir.
E a sua dignidade já havia sido jogada fora há uma hora, quando procurou Enzo.
Atrás dela, veio a voz de pena do homem, baixa e rouca: — Compre um túmulo melhor para a criança.
Beatriz mordeu a ponta da língua com força, e o gosto de sangue se espalhou pela boca.
— Obrigada.
De qualquer forma, numa hora dessas ela era muito grata a ele.
Deitado na cama, Enzo acendeu um cigarro. O cabelo raspado e a falha na sobrancelha esquerda o deixavam com um ar muito feroz e assustador.
Vendo Beatriz cobrir aquele corpo cheio de marcas novamente com as roupas, ele apertou os olhos e perguntou com um tom um pouco frívolo: — Você não tem medo de que ele descubra sobre a gente?
O corpo de Beatriz congelou. — Tanto faz.
"Ele", ela sabia que se referia a Arthur, mas e daí se ele soubesse?
Aquele homem simplesmente não se importava.
Ele estava ocupado consolando o seu grande amor, pouco se importando se ela vivia ou morria.
Se Arthur tivesse o mínimo de consideração, com o status de Jovem Mestre Valente que ele tinha, bastava deixar escapar um pouco por entre os dedos, e ela não teria chegado a esse beco sem saída.
Além disso, ela e Arthur haviam se divorciado três anos atrás.
Só não tinham anunciado isso ao público.
Ela se vestiu diante do espelho e arrumou o cabelo bagunçado, garantindo que estivesse apresentável para a última despedida de sua filha.
Ao se virar para pegar o celular, teve o pulso segurado por Enzo.



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