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Virgindade Leiloada romance Capítulo 74

Virgínia

Murilo não estava brincando quando disse que iria agilizar os preparativos para o nosso casamento e, em menos de três meses, nós estávamos prontos para subir ao altar, diante de todos os nossos familiares e amigos, assim como alguns associados das empresas do Grupo Fernandes.

As minhas madrinhas seriam a Mariana, Lavínia e a Ártemis, enquanto para padrinhos do Murilo, ele convidou o Aquiles, o seu mais recente amigo Joshua, que era irmão da Beatriz, sua namorada da faculdade e, pasmem, Ethan Constantino.

Eles tinham conseguido se entender, após muitas discussões e problemas, e enfim estávamos todos em paz.

Eu e a Lavínia também estávamos nos entendendo muito bem agora, e ela me ajudou bastante na organização do casamento também, assim como a Mariana e a Ártemis.

Mesmo que a questão do verdadeiro pai do seu filho pudesse ter sido um empecilho para a nossa boa convivência, nós estávamos conseguindo conciliar isso de uma maneira bastante madura e sem maiores problemas.

Ainda assim, ela tinha insistido em fazer logo o exame de DNA logo que completou dez semanas de gravidez, período em que foi possível realizar o teste de modo não-invasivo, a partir da coleta de exame de sangue dela e sem maiores sofrimentos.

Apesar da demora para receber o resultado, em comparação com os testes de DNA que são feitos após o nascimento do bebê, ele era tão preciso quanto qualquer outro e não seria necessário esperar tanto.

Para alívio de todos os envolvidos, o bebê que a Lavínia estava esperando era realmente do Aquiles e isso trouxe a tão esperada harmonia de uma vez por todas a nossa família.

Apesar de estarmos todos dispostos a tentar conciliar a situação, mesmo que o filho fosse do Murilo, sempre iria existir algum conflito e não seria o ideal, no final das contas, alguém iria acabar sofrendo.

Eu agora estava com trinta semanas de gestação e mesmo querendo esperar o nascimento do bebê, para que nós pudéssemos nos casar, o Murilo fez tanta questão para que isso acontecesse o mais rápido possível, que eu não consegui resistir a sua empolgação e aceitei fazer aquilo acontecer.

Agora eu tinha acabado de chegar em frente à igreja onde iria acontecer a nossa cerimônia de casamento, e a ansiedade estava tão grande, que estava até mesmo me causando reações estranhas.

Eu estava sentindo dores, que acreditei serem muito semelhantes as contrações que eu tinha sido ensinada a reconhecer, durante um curso para pais de primeira viagem que o Murilo fez questão que nós dois fizéssemos.

— Tudo bem com você, filha? — a minha mãe perguntou.

Estávamos dentro do carro com motorista, e os meus pais estavam junto comigo, enquanto todos os demais já estavam dentro da igreja, aguardando apenas o sinal da organizadora de casamentos para que nós entrássemos.

— Eu não sei, mamãe. — confessei.

— Está pensando em desistir do casamento, Virgínia? — foi a vez do meu pai questionar. — Saiba que eu apoiarei qualquer que seja a sua decisão nesse momento.

Eu sorri diante das palavras do meu pai e admirei a forma como ele estava sempre ao meu lado agora, independente se considerava certo ou errada a minha atitude, como naquele momento.

— Não, pai. — neguei rapidamente e com convicção. — Jamais passou por minha cabeça tal coisa.

— Então, por que parece tão nervosa? — insistiu.

Eu estava prestes a dizer que não era nada demais, pois jamais diria que estava sentindo algo similar a contrações, pois todos iriam achar que eu estava surtando, afinal, eu estava apenas com trinta semanas, mas nesse mesmo instante, senti algo molhado descer por minhas pernas e fiquei imediatamente horrorizada.

— Acho que o bebê vai nascer! — gritei, sentindo uma dor horrível me devastar.

E em nossa primeira noite em casa com a nossa filha, a emoção foi tamanha, que eu chorei até dormir, consolada pelo meu quase marido, mas não por muito tempo, pois a Manuela acordou várias vezes naquela noite, assim como nas que se seguiram também.

Nos primeiros dias, os meus pais ficaram comigo em meu apartamento, pois a mamãe não aceitou que o Murilo contratasse uma enfermeira e uma babá, como ele pretendia, pois ela fez questão de me ajudar até que eu pegasse o jeito de cuidar da minha filha sozinha.

Depois que isso aconteceu, eu concordei com a minha mãe e mesmo quando eles voltaram para a casa deles, continuei a cuidar da minha filha sozinha, até voltar a dividir a administração da loja com a Mariana.

Nesse momento se fez necessário a ajuda de uma babá, que me acompanhava para onde eu fosse com a Manuela, mas nunca a deixava em casa realmente.

O Murilo era um pai muito presente e dividia comigo os cuidados com a nossa filha, sempre que ele estava em casa, provando todos os dias o seu amor por nós duas, tanto com palavras quanto por ações.

E naquela noite, quando acordei de madrugada e não o encontrei ao meu lado na cama, já sabia onde ele estava.

Só precisei olhar para o monitor de TV plana na parede do nosso quarto, que ficava vinte e quatro horas por dia monitorando o quarto da Manuela, para constatar que eu estava certa, pois era exatamente lá que ele estava naquele momento.

Ela deve ter acordado e ao perceber que eu não ouvi o seu choro, ele preferiu não me acordar e foi lá, cuidar da nossa filha, sozinho.

Afastei os lençóis e fui até o quarto ao lado, onde tínhamos feito o quartinho da nossa bebê e fiquei encostada na parede, apenas observando ele ninar ela em seus braços, de costas para a porta do quarto.

— Sua mãe não quer fazer do seu pai um homem honesto, meu amor. — ele falava para a Manuela, que estava em absoluto silêncio naquele momento, provavelmente, só ouvindo a voz do papai. — Estou tentando a todo custo que ela aceite marcar a data do nosso casamento e ela foge todas as vezes.

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