Jorge havia reservado um salão privativo em um restaurante perto da escola.
Dona Amanda Lacerda entregou o tablet para Zoé Santos, com um sorriso caloroso e afetuoso.
— Zoé, pode escolher o que quiser, peça o que mais gosta de comer. A vovó ainda não sabe do que você gosta.
Os pratos desse restaurante vinham em porções pequenas; Zoé Santos escolheu quatro opções e uma Coca bem gelada.
Dona Amanda Lacerda deu uma olhada rápida.
Doces e apimentados, anotou mentalmente.
Jorge acrescentou mais alguns pratos.
— Senhorita, a senhora Amanda está em tratamento em Cidade C, e o médico recomendou refeições mais leves. Hoje ela não pode te acompanhar nos pratos apimentados. Pedi algumas opções mais suaves.
Zoé Santos não respondeu.
Dona Amanda Lacerda manteve o olhar em Zoé Santos, com um brilho distante nos olhos.
Os traços de Zoé Santos realmente lembravam muito sua juventude.
A boca era igual à do falecido Sr. Válber Lacerda.
— Fiquei sabendo do que aconteceu ontem, assim que cheguei a Cidade R. Sinto muito pelo que você passou, Zoé — disse dona Amanda, com voz suave e acolhedora.
O olhar de Zoé Santos era frio e distante.
— A senhora me chamou aqui para falar sobre o quê?
Dona Amanda Lacerda tirou da bolsa um cartão bancário e um documento de imóvel.
— Aqui neste cartão tem cinquenta milhões. Jóias, bolsas de marca, roupas, sapatos... se faltar alguma coisa, compre. Se não for suficiente, é só avisar a vovó. Não precisa ter cerimônia comigo.
Ela deu leves batidinhas no documento do imóvel, sorrindo com ternura.
— Sei que você saiu da casa da família Santos. Esta é a casa de campo que era minha e do seu avô. Já transferimos a escritura para o seu nome. Agora é sua. Você pode morar lá, tem motorista para te levar e buscar na escola.
Zoé Santos respondeu:
— Não precisa, vou continuar no alojamento da escola.
Jorge, incomodado com a frieza de Zoé, explicou:
— Senhorita, a senhora Amanda tem passado um tempo em Cidade C, cuidando da saúde. Ontem à noite ela voltou só pra comemorar seu aniversário. Hoje à tarde já retorna para continuar o tratamento. Não é que ela não queira cuidar pessoalmente da senhorita.
— Eu também não pedi nada disso — Zoé Santos se recostou na cadeira, expressão inalterada.
O tom de dona Amanda permaneceu gentil e paciente.
— Eu só queria fazer algo por você, querida. É a forma que encontrei de compensar por não ter te criado. Você é minha única neta, tudo isso é seu por direito.
Jorge percebia tudo claramente.
Depois de tudo o que a família Santos fez com Zoé, seria difícil esperar que ela sentisse algo pelos parentes de Cidade R.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...