Samuel Castro precisou de alguns segundos para se recompor psicologicamente.
Virou-se, olhou para ela e, meio sem jeito, disse:
— Zoé Santos, sobre o que aconteceu hoje de manhã, a culpa foi minha. Me desculpa. De agora em diante, vou tentar não te julgar mais dessa forma.
Zoé Santos tirou duas obras estrangeiras da bolsa e as largou com força sobre a mesa.
Lançou-lhe um olhar de esguelha.
— Você não acha que todo mundo está preocupado com a sua opinião, né?
Ela sorriu de leve, com uma educação quase irônica.
— Desculpe, mas... quem você pensa que é?
O tom, apesar de polido, carregava uma ironia escancarada.
O rosto de Samuel Castro mudou na hora, ficando visivelmente constrangido.
Para ele, já era um grande esforço admitir o erro e pedir desculpas a Zoé Santos; achava que ela deveria se dar por satisfeita.
Não esperava que ela fosse tão incisiva, deixando-o em uma situação embaraçosa.
Nesse momento, a coordenadora Júlia Araújo entrou pela porta da frente da sala, acompanhada de Talita Santos, Mariana Pedrosa e Marta Paz.
O episódio da manhã havia sido discretamente abafado; Talita Santos e Marta Paz voltaram à escola à tarde como se nada tivesse ocorrido.
Ao saber que Zoé Santos estava na turma 9, Júlia Araújo veio ao seu encontro.
Isso porque todas as testemunhas presentes de manhã — que precisavam ser alertadas ou advertidas — já haviam garantido manter sigilo absoluto, para não prejudicar a reputação da turma 1 do terceiro ano do ensino médio e de Talita Santos.
A única variável fora de controle agora era Zoé Santos.
Júlia Araújo veio silenciá-la, advertindo-a para não falar nada fora do combinado.
Mas, para surpresa das quatro, deram de cara com a postura desafiadora de Zoé Santos logo ao entrar.
Marta Paz avançou, irritada:
— Samuel Castro, pra quê pedir desculpas pra ela? Depois de assinado o acordo, ninguém deve nada pra ninguém! Não tem motivo pra você agir como se estivesse devendo algo pra ela!
No momento em que as condições foram acertadas na delegacia, diante do Reitor Roberto, do Sr. Luís e de vários funcionários, tudo ficou registrado.
Zoé Santos já não tinha mais direito de reclamar, então Marta Paz não a temia.
Ainda mais agora, contando com o apoio explícito da coordenadora Júlia Araújo, Marta Paz se sentia totalmente à vontade.
Talita Santos falou com uma voz suave e frágil:
— Zoé, será que você pode não culpar o Samuel Castro? A culpa foi minha, eles só estavam tentando me ajudar...
O olhar de Júlia Araújo sobre Zoé Santos era frio.
Samuel Castro havia tentado fazer as pazes, e mesmo assim Zoé Santos não soube valorizar.
Na perspectiva de Júlia Araújo, uma aluna de baixo desempenho como Zoé Santos não tinha motivos para se sentir superior a Samuel Castro.
Não queria perder tempo conversando com quem, aos seus olhos, era um caso perdido.
Júlia Araújo colocou uma folha sobre a mesa — um termo de compromisso para que Zoé Santos não comentasse o ocorrido.
Falou secamente:
— Zoé Santos, o que aconteceu de manhã acaba aqui. Assine isso agora.
Zoé Santos lançou um olhar rápido para o papel e sorriu.
Pegou a folha e, sob o olhar estarrecido e furioso de Júlia Araújo, começou a rasgá-la em pedaços, com toda calma.
— Zoé Santos, o que você pensa que está fazendo? — Júlia Araújo a encarou, franzindo o cenho.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...