Patrícia Lacerda recordava o quanto os alunos do Colégio Cidade H costumavam admirar Talita Santos; agora, ao comparar com os olhares cheios de murmúrios e suspiros maliciosos daquele dia, era como se todos estivessem assistindo a um espetáculo tragicômico.
O passado glorioso não existia mais; os escândalos da filha mais orgulhosa haviam sido expostos.
Exausta, Patrícia Lacerda afundou no sofá:
— Vamos procurar uma escola para Talita em Cidade Capital. Coincidentemente, a seleção preliminar para aprendizes da mestra Maria Clara será realizada lá mesmo. O vice-presidente da associação de violoncelistas já havia demonstrado interesse em orientar Talita por um tempo. Aproveitamos e vamos direto.
— Está certo — respondeu o Sr. José, com uma voz envelhecida e abatida. — Vamos resolver a papelada da transferência nos próximos dias e partimos.
Agora, as únicas oportunidades de reerguimento para Talita Santos eram o concurso da mestra Maria Clara e o vestibular.
Diante do professor Sérgio Viana, do Instituto de Matemática da Universidade de Cidade Capital, Talita Santos tinha nome e reconhecimento; sua habilidade era incontestável.
...
Na antiga residência da família Farias, em Cidade Capital.
O vovô Djalma, casado três vezes e divorciado em todas, tinha agora quatro filhos e três filhas.
No final de cada mês, todos os filhos tinham de voltar para casa para jantar com o patriarca.
Henrique Farias entrou no salão principal, sentou-se em seu lugar habitual e cruzou as pernas longas, relaxado.
Belmiro, conforme o costume, lhe trouxe uma taça de vinho gelado.
O vovô Djalma voltou o olhar para ele:
— Desta vez você ficou tempo demais em Cidade R. O que andou fazendo por lá?
Augusto Farias, o primogênito, lançou-lhe um olhar de advertência.
Henrique Farias acendeu um cigarro:
— Se quiser perguntar sobre alguém, pode falar diretamente.
O vovô Djalma girava entre os dedos o terço de madeira escura:
— Ela não serve para você. Já tenho outros planos para o seu casamento.
— Ora, as pessoas que o senhor escolhe devem ser, sem dúvida, as mais adequadas... para o senhor. Se realmente gosta tanto, posso providenciar uma grande festa para o seu quarto casamento — Henrique Farias sorriu de leve —, a vida é curta, não se deve deixar arrependimentos.
Mal terminou de falar, uma taça voou em sua direção.
Henrique manteve-se firme, apenas inclinando levemente a cabeça.
A xícara se estilhaçou no chão.
Uma funcionária veio rapidamente, limpando tudo com destreza; o piso voltou a ficar impecável.
Os outros filhos, vendo o patriarca furioso, permaneceram em silêncio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...