Quando a verdade ainda não estava clara, a maioria das pessoas tendia a ser guiada pelos boatos espalhados por perfis sensacionalistas.
Principalmente porque aquela notícia envolvia temas de alta repercussão social: “assédio em ambiente escolar”, “abuso de poder por parte da direção de um colégio de prestígio”, “alunos favorecidos burlando o sistema, cometendo injustiça contra estudantes do país inteiro” — todos esses assuntos acirravam os ânimos.
Na internet, a vida de Zoé Santos era completamente vasculhada e divulgada — destacando-se, acima de tudo, suas notas baixas e a quantidade de punições recebidas.
— Meu Deus! O Colégio Estadual de Cidade H é referência nacional e essa garota mal tem notas para entrar num curso técnico, quanto mais numa escola dessas.
— Agora não basta ter entrado em Cidade H por atalhos, ela ainda acha que pode ir para a Universidade de Cidade Capital? Só pode estar delirando!
— Se qualquer um desse tipo pode ser aceito na Universidade de Cidade Capital, de que adianta eu sacrificar meu sono, estudando até tarde só para subir alguns pontos? Ninguém mais controla essas manobras ilícitas?
— Os estudantes de hoje têm mil artimanhas, fazem de tudo! Não têm o menor respeito por si mesmos! Nem consigo imaginar como são educados em casa!
— Que a Secretaria de Educação faça uma investigação rigorosa! Quem tiver que ser expulso, que seja expulso; quem tiver que ser demitido, que seja demitido!
A hashtag #ZoéSantosColégioCidadeH rapidamente atingiu o topo dos assuntos mais comentados nas redes sociais.
Diante da repercussão, o órgão de educação respondeu prontamente, anunciando a criação de uma comissão especial de investigação, comprometendo-se a apurar os fatos com a máxima rapidez.
Talita Santos esboçou um leve sorriso no canto dos lábios.
Com tantos jornalistas presentes na palestra de hoje, o caso teria proporções gigantescas.
E o destino de Zoé Santos parecia traçado: seria expulsa.
Talita guardou o celular e retornou à sala de eventos.
……
Em um laboratório de química da Cidade R.
Na sala de reuniões, vários professores renomados faziam um relatório de progresso para Henrique Farias.
— Já obtivemos resultados preliminares e iniciamos os testes em animais — disse um dos professores, demonstrando certa apreensão enquanto observava o homem de postura imponente sentado à cabeceira.
Os dedos longos de Henrique Farias brincavam com um isqueiro de metal. — E os testes clínicos, como estão programando?
Outro professor respondeu: — Se os testes em animais correrem bem, em dois meses poderemos iniciar os testes clínicos.
O projeto já caminhava há mais de dois anos e só agora começava a avançar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...