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Zoé Santos:A Fênix de Cidade R romance Capítulo 211

Após mais de quinze dias detida, Marta Paz estava irreconhecível: pálida, magra, os traços do rosto marcados pela exaustão, quase assustadora.

— Você acha que eu merecia ficar presa, não acha? — ela encarou Talita Santos com ódio, os olhos vermelhos de raiva. — Tudo o que me aconteceu foi culpa sua!

Talita Santos ficou lívida de medo.

— Não fui eu... Foi a Zoé Santos que quis levar isso adiante... Não fui eu...

Mas Marta estava tomada pelo desespero, sem ouvir nada.

— Sua impostora! Invejosa da Zoé, usou a mim como ferramenta. Você arruinou minha vida, e ainda assim continua intocável?! — Marta apertava com força uma pequena faca dobrável na mão.

O brilho da lâmina reluziu nos olhos de Talita Santos, que entrou em pânico e gritou por socorro.

Marta avançou de repente.

...

Na manhã seguinte.

Zoé Santos, a caminho da sala de aula, recebeu uma ligação de Bento Passos.

— Zoé, a Talita Santos levou uma facada. Pena que não foi fatal — lamentou Bento, num tom quase de deboche.

Zoé soltou um riso frio.

— Tem a vida dura, né?

Naquele instante, o celular dela tocou de novo.

Era Roberto Pereira quem ligava.

— Preciso desligar, depois falamos — avisou Zoé a Bento, antes de atender a ligação de Roberto Pereira. — Alô, sou eu.

— Quem permitiu que Marta Paz fosse para Cidade Capital? — a voz de Roberto estava tensa.

Marta Paz, em liberdade provisória, estava proibida de sair de Cidade R. No entanto, ela conseguiu chegar tranquilamente à Cidade Capital. Mais ainda: o condomínio de luxo onde Talita Santos morava tinha segurança rigorosa, mas mesmo assim Marta conseguiu entrar.

Estava claro que alguém facilitara tudo por trás.

Mas o Reitor Roberto não sabia de qual dos quatro era a responsabilidade.

Renata Senna era discreta demais, improvável. Bento Passos tinha mais chances do que Antônio Noé. Mas nada era certo...

Aliás, agora havia também Henrique Farias e Pedro Soares...

O leque de suspeitos só aumentava.

O Reitor, que não tinha dor de cabeça há mais de dois anos, voltava a sentir as pontadas latejantes.

Zoé parou na entrada do prédio do ensino médio, desviando para um canto enquanto segurava o celular.

Com uma perna apoiada na guia da calçada e uma mão no bolso, ela falou com desdém:

— Reitor Roberto, nós somos bons alunos, sabia? Quer apostar que te acuso de calúnia?

— ...

Roberto Pereira não conteve um espasmo nos lábios.

— Acreditar que vocês são bons alunos ou que eu sou o Dom Pedro I?

Zoé ficou em silêncio um segundo.

Respondeu, com indiferença:

— Não morreu ninguém, por que esse nervosismo todo?

— ...

Roberto ficou sem palavras.

Esses jovens... principalmente Zoé Santos...

A garota era implacável, e sempre agia sem o menor pudor. O fato de não ter sujado as próprias mãos já era um sinal de respeito para com ele.

Será que ele devia se dar por satisfeito?

O sinal de entrada para as aulas soou.

Zoé, desinteressada, encerrou o assunto:

— Vou desligar.

Desligou.

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