Após mais de quinze dias detida, Marta Paz estava irreconhecível: pálida, magra, os traços do rosto marcados pela exaustão, quase assustadora.
— Você acha que eu merecia ficar presa, não acha? — ela encarou Talita Santos com ódio, os olhos vermelhos de raiva. — Tudo o que me aconteceu foi culpa sua!
Talita Santos ficou lívida de medo.
— Não fui eu... Foi a Zoé Santos que quis levar isso adiante... Não fui eu...
Mas Marta estava tomada pelo desespero, sem ouvir nada.
— Sua impostora! Invejosa da Zoé, usou a mim como ferramenta. Você arruinou minha vida, e ainda assim continua intocável?! — Marta apertava com força uma pequena faca dobrável na mão.
O brilho da lâmina reluziu nos olhos de Talita Santos, que entrou em pânico e gritou por socorro.
Marta avançou de repente.
...
Na manhã seguinte.
Zoé Santos, a caminho da sala de aula, recebeu uma ligação de Bento Passos.
— Zoé, a Talita Santos levou uma facada. Pena que não foi fatal — lamentou Bento, num tom quase de deboche.
Zoé soltou um riso frio.
— Tem a vida dura, né?
Naquele instante, o celular dela tocou de novo.
Era Roberto Pereira quem ligava.
— Preciso desligar, depois falamos — avisou Zoé a Bento, antes de atender a ligação de Roberto Pereira. — Alô, sou eu.
— Quem permitiu que Marta Paz fosse para Cidade Capital? — a voz de Roberto estava tensa.
Marta Paz, em liberdade provisória, estava proibida de sair de Cidade R. No entanto, ela conseguiu chegar tranquilamente à Cidade Capital. Mais ainda: o condomínio de luxo onde Talita Santos morava tinha segurança rigorosa, mas mesmo assim Marta conseguiu entrar.
Estava claro que alguém facilitara tudo por trás.
Mas o Reitor Roberto não sabia de qual dos quatro era a responsabilidade.
Renata Senna era discreta demais, improvável. Bento Passos tinha mais chances do que Antônio Noé. Mas nada era certo...
Aliás, agora havia também Henrique Farias e Pedro Soares...
O leque de suspeitos só aumentava.
O Reitor, que não tinha dor de cabeça há mais de dois anos, voltava a sentir as pontadas latejantes.
Zoé parou na entrada do prédio do ensino médio, desviando para um canto enquanto segurava o celular.
Com uma perna apoiada na guia da calçada e uma mão no bolso, ela falou com desdém:
— Reitor Roberto, nós somos bons alunos, sabia? Quer apostar que te acuso de calúnia?
— ...
Roberto Pereira não conteve um espasmo nos lábios.
— Acreditar que vocês são bons alunos ou que eu sou o Dom Pedro I?
Zoé ficou em silêncio um segundo.
Respondeu, com indiferença:
— Não morreu ninguém, por que esse nervosismo todo?
— ...
Roberto ficou sem palavras.
Esses jovens... principalmente Zoé Santos...
A garota era implacável, e sempre agia sem o menor pudor. O fato de não ter sujado as próprias mãos já era um sinal de respeito para com ele.
Será que ele devia se dar por satisfeito?
O sinal de entrada para as aulas soou.
Zoé, desinteressada, encerrou o assunto:
— Vou desligar.
Desligou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...