Abner Pedrosa foi buscar o arco particular de Henrique Farias.
Antes mesmo de chegar à porta da sala de tiro, viu, no final do corredor, Maria Alice Pontes e seu grupo vindo na direção dele.
— Srta. Pontes, Srta. Elisa, Sr. Leandro...
Abner Pedrosa fez um leve aceno de cabeça, mantendo-se respeitoso, mas olhou para eles, cheio de dúvida.
— Estão indo para onde?
Maria Alice Pontes lançou um olhar rápido para o que Abner Pedrosa carregava nos braços, reconhecendo imediatamente o objeto.
Seus olhos se estreitaram discretamente.
No entanto, seu rosto permaneceu inexpressivo, e ela sorriu de leve:
— Henrique e Pedro Soares estão lá dentro?
— Sr. Tomás e Sr. Pedro estão lá dentro, a senhora tem...
Antes que terminasse a frase, Maria Alice Pontes já empurrava a porta, caminhando com determinação em seus saltos altos.
O semblante de Abner Pedrosa mudou.
— Srta. Pontes...
Ele apressou-se para acompanhá-la.
Lá dentro, Zoé Santos, vestindo uma camiseta preta e usando fones de ouvido com fio, mascava um pirulito.
O arco já estava armado; o braço da jovem, magro e definido, puxava a corda com precisão e força.
A flecha foi disparada, cortando o ar até atingir o centro do alvo.
Porém, era o alvo ao lado — o de Olívia Farias.
O olhar de Maria Alice Pontes permaneceu frio, passando por outra flecha cravada no alvo de Zoé Santos, distante do centro vermelho.
Uma flecha desviada.
Outra fora do alvo.
Era essa a pessoa que Henrique tanto admirava?
Isadora Barbosa e os outros também notaram, e, após a surpresa, trocaram sorrisos sutis e conhecedores.
Maria Alice Pontes apenas desviou o olhar.
Ela caminhou até o grupo de Henrique Farias, exibindo um sorriso aberto e cordial.
— Henrique, Pedro Soares, vocês me prepararam aqui uma recepção de boas-vindas. Eu queria encontrar vocês, mas...
Maria Alice Pontes lançou um olhar a Zoé Santos, demonstrando educação e medida.
— Parece que não é um bom momento.
Pedro Soares e Glauber Martins nada disseram.
Henrique Farias estava recostado no sofá, as pernas cruzadas, uma pasta de documentos sob a mão, e os dedos longos tamborilando distraidamente.
Sua voz saiu fria e distante:
— Não é que não seja um bom momento para ir à sua recepção. É que nem pensei em ir.
Os dedos de Maria Alice Pontes apertaram discretamente a bolsa.
Ainda assim, o sorriso em seu rosto permaneceu impecável.
— Sei que estão ocupados. Por isso, ao saber que estavam aqui, resolvi vir até vocês — disse Maria Alice Pontes, em tom amistoso. — Faz quase quatro anos que não nos vemos, não é?
— Será? Não costumo lembrar dessas coisas inúteis.
Henrique Farias respondeu sem sequer olhar para Maria Alice Pontes.
Seu olhar gélido percorreu o grupo recém-chegado e, por fim, parou em Abner Pedrosa.
— As regras do clube mudaram? Qualquer pessoa pode entrar na área privada?
A autoridade em sua voz impunha respeito, quase intimidação.
Todos ficaram em silêncio.
O suor brotou na testa de Abner Pedrosa.
— Sr. Tomás...
— Para que tanto drama? — Elisa Farias sentou-se do outro lado do sofá. — Todos jogamos no mesmo círculo. E sua área privada é grande, Henrique. Não podemos entrar?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...