Zoé Santos assentiu com a cabeça.
Pelo canto do olho, percebeu mais de vinte mensagens não lidas enviadas por Yasmim Castro no WhatsApp. Zoé parou por dois segundos, mas não abriu, tampouco respondeu. Apenas bloqueou a tela e guardou o celular no bolso.
Virando-se para Henrique Farias, acenou com um leve sorriso:
— Podem entrar na frente, tenho algo para resolver. Nos vemos lá dentro.
Henrique Farias nada perguntou. Com postura imponente e uma das mãos no bolso, apenas respondeu:
— Tá bom.
……
Assim que Zoé Santos entrou na sala de descanso de Maria Clara, recebeu uma partitura empurrada em suas mãos.
— Olha só, o que acha?
Aos cinquenta e poucos anos, bem conservada, Maria Clara levantou o queixo com ar orgulhoso, exibindo à Zoé sua composição favorita do ano até então.
Toda vez que via Zoé Santos, Maria Clara parecia outra pessoa. Gael Henrique já estava acostumado.
Fria como gelo? Farsa.
Soberba, apaixonada pelas calouras? Disfarce.
Aquela partitura fora terminada na manhã anterior pela Dra. Maria Clara.
Sempre que encontrava Zoé Santos, Maria Clara tinha surtos de inspiração e superava bloqueios criativos.
Ela acreditava que Zoé lhe trazia sorte.
Coisas assim, a ciência não explica – só mesmo o misticismo.
Zoé não disse nada. Devolveu a partitura, caminhou até o violoncelo de Maria Clara, pegou o arco e o instrumento e sentou-se, colocando um pé, de forma despreocupada, na barra transversal da cadeira.
Testou o som das cordas com o arco.
No segundo seguinte, a melodia fluida e encantadora, marcada pelo estilo único das composições de Maria Clara, tomou conta da sala de descanso.
Maria Clara era uma das compositoras mais renomadas da atualidade.
Seu nome constava nos créditos de inúmeros filmes clássicos e nas obras de grandes estrelas.
Aquela peça era de uma pureza cristalina; a elegância delicada e poética se misturava à personalidade intensa e à técnica brilhante de Zoé Santos.
As notas explodiam, se espalhavam.
Era impossível não se perder na paisagem sublime desenhada pela música.
Mesmo no auge de sua carreira, nos concertos lotados no Teatro Imperial, Maria Clara não tinha o mesmo impacto que Zoé Santos transmitia ali, na sala de descanso.
Quando Zoé terminou, Dra. Maria Clara ainda estava atônita.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...