Ela lançou um olhar de cima para baixo para Zoé Santos, que estava vestida de maneira simples e discreta, observando a jovem sentar-se à sua frente, ao lado de Henrique Farias.
Uma centelha de desagrado passou pelos olhos de Elisa Farias.
Sr. Henrique, sempre frio, calculista e distante – conhecido pelo rigor da família Farias –, parecia tratar essa estudante do ensino médio com uma deferência incomum.
Maria Alice Pontes também estava na primeira fileira, separada de Henrique Farias por quatro assentos.
Com as mãos elegantemente entrelaçadas à frente do corpo, ela lançou um olhar na direção de Henrique Farias, seus olhos carregados de uma sombra profunda.
Trazer alguém tão abertamente a um evento público como este era muito diferente de levá-la a um clube privado.
Depois de hoje, muitos começariam a questionar a natureza da relação entre ela e Henrique Farias.
Estaria Henrique Farias realmente disposto a ignorar até mesmo os laços entre as famílias Farias e Pontes?
Zoé Santos, por sua vez, não demonstrava qualquer preocupação com os inúmeros olhares curiosos que recaíam sobre si.
Ela aceitou, com naturalidade, a água mineral gelada que Henrique Farias lhe passou ao lado, e tomou um gole, erguendo levemente o rosto.
Do outro lado, Tânia Meireles se aproximou um pouco de Zoé Santos, perguntando baixinho:
— Prima, você também já estudou violoncelo, não foi?
Zoé virou o rosto, encontrando o olhar límpido e brilhante da garota, e respondeu com preguiça:
— Um pouco, sim.
Tânia Meireles não acreditou. Com certeza Zoé era muito talentosa.
Logo depois, a orquestra do Teatro Imperial de Cidade C, acompanhando Maria Clara, subiu ao palco para executar o “Concerto nº 1 em Dó Maior para Violoncelo”.
A melodia era espirituosa, elegante, viva, mas carregada de calor e ternura, despertando sonhos e imaginação.
Após o primeiro movimento, as luzes do palco se apagaram.
Era a vez do solo da mestra Maria Clara.
O salão silenciou completamente; um facho de luz triangular iluminou o centro do palco, onde a Dra. Maria Clara se encontrava, envolta em uma longa túnica preta de tecido gradiente, com um toque de elegância e serenidade.
No programa, estava anunciada a peça para violoncelo “Rosa Encantada”, do álbum lançado por Maria Clara três anos antes.
Esse álbum havia vencido o maior prêmio de música de Cidade C — o “Prêmio Arco do Som” de Melhor Álbum do Mundo. Vendeu mais de um milhão de cópias, superando o próprio recorde do ano anterior.
No entanto, a faixa principal, “Rosa Encantada”, não era de autoria da mestra Maria Clara.
O arranjador, creditado no encarte, era um novato absoluto — nome artístico: “Trombetas do Céu”.
O nível de excelência dessa música fez com que o novato se tornasse, de imediato, o mais misterioso e cobiçado arranjador do cenário musical.
O pano de fundo da composição de “Rosa Encantada” era a luta de um jovem pela sobrevivência, enfrentando adversidades e jamais desistindo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Zoé Santos:A Fênix de Cidade R
Tenham mais respeito com os leitores...
Quando o autor vai atualizar os cap?em outro app já tá no 319...