A socialite ruiva percebeu a situação e seu rosto ficou ainda mais expressivo, alternando tons que se misturavam com o vermelho marcante de seu cabelo, como uma paleta de tintas caída no chão.
Enquanto todos ainda assimilavam o que estava acontecendo, o silêncio foi interrompido por um barulho forte à distância.
A confusão iniciou quando uma figura cambaleante surgiu no corredor, apavorando o grupo num instante.
Era Leonor, claramente abalada após ter sofrido a punição familiar. Vinha do quarto, apoiando-se na parede para conseguir caminhar, com os olhos tão avermelhados que pareciam prestes a sangrar.
Ela não havia escutado nada do que diziam as socialites, só avistou Margarida do outro lado e fez um esforço para se aproximar, com ódio estampado no rosto.
— Margarida, o que você veio fazer aqui no hospital? — Esbravejou Leonor, já acusando. — Veio para se divertir com a situação, só pode!
As marcas do tapa que tinha levado de Margarida ainda estavam frescas em seu rosto, mas nada parecia se comparar aos ferimentos que carregava nas costas.
Por conta do plano de Margarida na coletiva, Leonor tinha finalmente provado o gosto da punição da família Almeida.
Apesar de as punições aplicadas às mulheres serem menos severas, ela se ajoelhou e aguentou as chicotadas até a pele se abrir. Toda vez que as bandagens eram trocadas, parte do curativo grudava nas feridas e saía arrancando carne junto. A dor, em alguns momentos, era insuportável, e Leonor quase havia perdido o controle.
O grupo de socialites tinha entrado no quarto justamente enquanto ela trocava os curativos, em meio a dores que a faziam reagir de maneira descontrolada.
Só que agora, ao se deparar com Margarida, Leonor sentiu a raiva retornar ainda mais intensa.
A socialite ruiva, que não perdia a chance de se fazer de amiga, aproximou-se rapidamente e começou a se queixar com Leonor:
— Leonor, essa Margarida veio aqui só para rir da sua cara. Eu escutei ela falando mal de você nos corredores!

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