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A Amante que Virou Cunhada romance Capítulo 11

— Está tudo resolvido. — A voz de Marcos, o "gerente", ecoou ao telefone em tom respeitoso ao falar com Vicente. — A Srta. Margarida está bem. O médico usou o remédio que o senhor deixou para fazer o curativo no ferimento dela. E, há pouco, a Srta. Teresa chegou ao hotel. Mas...

Marcos fez uma pausa e pigarreou, nitidamente hesitante. Em seguida, continuou com cautela:

— Sr. Vicente, hoje eu acabei falando mais do que devia de novo. Soltei umas coisas que não devia ter dito.

Na realidade, Marcos não era o gerente principal do Hotel Luar, mas sim o assistente pessoal de Vicente no Grupo Almeida. Por ter a língua solta, tinha sido "rebaixado" e mandado ao hotel fazia quinze dias, numa tentativa de fazê-lo refrear seu jeito falante.

Na cabeça de Marcos, Margarida era a única mulher que, até aquele momento, havia recebido um tratamento diferente de Vicente. Por isso, ele acreditava que ela devia ser alguém especialmente relevante para o chefe.

Pensando em ajudar, exagerou ao falar das vantagens de Margarida como possível esposa de Vicente. No entanto, agora, refletindo melhor, achava que talvez tivesse entendido tudo de forma errada.

— Sr. Vicente... — Lamentou Marcos, com a cabeça baixa. — O senhor confiou em mim e me enviou ao hotel para receber a Srta. Margarida, mas eu não segurei a língua de novo. Ainda bem que ela não deu a menor bola para as besteiras que falei. Eu... Bem... Se o senhor quiser me mandar para África desta vez, não vou me opor!

Do outro lado, Vicente permaneceu em silêncio. Seu olhar escureceu ligeiramente, mas ele não respondeu nada por longos segundos. O silêncio fez os sentidos de Marcos dispararem.

Subitamente, Marcos se deu conta de algo e continuou:

— Sr. Vicente, será que, sabendo do meu hábito de falar demais, o senhor me mandou de propósito para receber a Srta. Margarida?

Se fosse esse o caso, talvez Marcos não tivesse interpretado tudo errado. Seus olhos se arregalaram ao imaginar que Vicente pudesse estar articulando algo maior nos bastidores.

A resposta, porém, veio num tom frio:

— Você anda muito curioso para saber no que eu estou pensando?

— Não, não, nada disso! — Marcos se apressou em negar, tentando mudar de assunto. — Ah, certo! O médico comentou também que a saúde da Srta. Margarida melhorou bastante. O senhor prefere que eu continue mantendo ela no hotel para repousar?

Do outro lado da linha, Vicente soltou um murmúrio ambíguo que nem a mais fina percepção decifraria. Em seguida, ele desligou a chamada.

...

Do outro lado, num quarto tomado pela tristeza, Margarida continuava abraçada a Teresa. As duas choravam copiosamente.

Diante de Augusto, Margarida não havia derramado uma lágrima, pois não queria mostrar fragilidade e lhe dar mais armas para atacá-la. Perto de Vicente, também não chorou, já que não desejava que ele, que tanto a ajudava, tivesse de consolá-la em meio àquela dor sem sentido.

Nos braços de Teresa, porém, Margarida não hesitou em se expor completamente. Toda a mágoa represada veio à tona de uma só vez, inundando seu coração em um sofrimento que não dava trégua.

Chorou até os olhos ficarem inchados e a voz sumir praticamente de tanto soluçar. Ainda assim, a pontada aguda no peito não diminuía a cada batida do coração.

E, pensando com calma, era impossível não doer. Quando viu Augusto escolher Leonor bem na casa da família Carvalho, Margarida se manteve firme. Ao apagar todas as fotos do celular, seguiu decidida. Mas, desde o instante em que teve a certeza de que Augusto a enganou, traiu e feriu sem piedade, o corpo e a alma dela ficaram dilacerados, como se tivessem sido cortados por várias lâminas ao mesmo tempo.

O mais absurdo era perceber que era a própria Margarida quem entregou a Augusto essas "facas" que a retalharam.

Enquanto escutava, chocada, cada palavra que Margarida relatava, Teresa tentava limpar as lágrimas do rosto da amiga, embora as próprias mãos estivessem molhadas de tanto choro. A cada nova frase, o ressentimento e a indignação de Teresa só aumentavam:

— Aquele filho da puta do Augusto! Aquele sujeito de fachada, que só fez cena e te enrolou por três anos! Agora se junta a outra e ainda ajuda a moça a te pisar! Ele age assim porque sabe que você é boa, não faria mal a ninguém e, por isso, não teme ser punido!

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