— O senhor Vicente já me avisou. Pode abrir a porta. — Disse Margarida, com um sorriso tranquilo, ao ouvir o recado carinhoso de Laura.
Vicente já tinha comentado que, como aquela seria a casa onde morariam juntos após o casamento, um designer havia organizado com todo cuidado a decoração do quarto, criando um clima de lua de mel com detalhes especiais.
No começo, Margarida achou que tiraria de letra. Só que, quando a porta se abriu e ela se deparou com a colcha nova, pétalas de rosas espalhadas por todo o ambiente liberando um perfume marcante, e uma parede inteira coberta de balões formando a palavra "amor", ela ficou completamente estática, surpresa demais para reagir.
Com um sorriso orgulhoso, Laura segurava uma bandeja de frutas e não hesitou em explicar com brilho nos olhos:
— Senhora, foi o senhor Vicente quem preparou tudo pessoalmente. Hoje é o primeiro dia de vocês como casal nessa casa nova, e, pela tradição, a decoração precisa ser bem alegre mesmo!
A roupa de cama, então, tinha sido trocada por ele, as flores vieram diretamente da floricultura que ele mesmo escolheu, e os balões na parede foram inflados, um a um, por Vicente.
Nem o arranjo da palavra "amor", ao mesmo tempo, cafona e bonito, escapou das próprias mãos do marido, que insistiu em ajeitar cada detalhe até achar que tudo estava perfeito.
Diante disso tudo, Margarida ficou sem palavras por um instante. A cabeça dela se encheu de cenas, imaginando Vicente, elegante e sempre tão sério, se esforçando para encher balões coloridos, correndo atrás de algum que escapasse e voasse pelo quarto, tendo que inflar de novo só para deixar tudo como havia planejado.
Ela entendia bem aquele esforço. Já tinha passado por isso quando ajudou numa festa de casamento da prima de Augusto, ficando até tarde na função de encher balões, sentindo os dedos latejarem no fim da noite. Na ocasião, mesmo cansada, sentiu inveja ao ver o resultado, pensando que também queria algum dia um quarto de casamento assim.
Naquela época, ela acreditava que seu futuro seria ao lado de Augusto, que decoraria o quarto dela daquele jeitinho tradicional, mas no fim das contas, não foi com ele que se casou, mas sim com Vicente, num acordo que era apenas um contrato.

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