— Sr. Vicente, tem um senhor chamado Augusto aqui fora querendo falar com o senhor. — Gritou Laura, aparecendo de repente da entrada, meio sem fôlego.
Na mesma hora, toda aquela atmosfera quente e carregada de tensão travou de uma vez, fazendo Margarida acordar do transe e puxar a mão da de Vicente enquanto soltava um suspiro baixinho de alívio.
Ninguém sabia o quanto seu coração tinha disparado quando Vicente fez aquela pergunta final há pouco.
Se Laura não tivesse aparecido assim do nada, ela teria provavelmente ficado ali parada, vendo Vicente se aproximar ainda mais.
Mas Vicente fechou a cara numa frieza de gelo. Depois de olhar para Laura parada na sala e para sua própria mão vazia, respirou fundo tentando se controlar.
— Marga, você quer que eu receba o Augusto? — Perguntou ele, com a voz forçada.
Embora Augusto tivesse dito para Laura que queria falar com ele, Vicente sabia muito bem que o homem tinha vindo da família Almeida até ali porque queria mesmo era encontrar Margarida.
Mas Margarida não pensava assim.
— Augusto provavelmente veio porque você cancelou a parceria entre o Grupo Carvalho e o Grupo Almeida, deve estar querendo te convencer a voltar atrás. — Explicou ela sem dar muita importância. — Então se vai receber ele ou não, você que decide. Se ele entrar, eu subo para o ateliê e pronto.
— Parece que você não está nem um pouco interessada em vê-lo.
Vicente ficou estudando a expressão de Margarida, e depois de perceber que ela estava falando sério mesmo, seu rosto gelado relaxou um pouco.
— Já que ele veio por causa de trabalho, então que vá na empresa marcar uma reunião com o Marcos. Em casa, eu não recebo gente de fora. — Decidiu ele sem dar margem para discussão.
— É, assim é bem melhor mesmo. — Concordou Margarida, com um sorriso satisfeito.
Porque não deixar Augusto entrar e dar um fora nele também servia como uma pequena vingança pelo fato dele ter mentido contra ela naquele depoimento.


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