Leonor se recusava a expor algo tão humilhante quanto aquilo. Preferia morrer a deixar Margarida descobrir que toda aquela proximidade aparente sempre partia de sua própria iniciativa, enquanto Augusto invariavelmente a rejeitava.
Seus olhos brilharam com veneno puro ao se dirigir ao casal:
— Tenho valores tradicionais. Por mais que Augusto me ama, acredito que filhos só devem vir após o casamento. Mas vocês dois já se casaram há mais de um mês, Margarida. Cadê os sinais na sua barriga? Não me diga que você é daquelas galinhas que não conseguem botar ovo!
Margarida perdeu completamente o sorriso diante daquelas palavras:
— Que época é essa para comparar mulheres a galinhas, Leonor? Como representante do nosso gênero, você realmente nos envergonha. — Margarida fez uma pausa calculada, antes de continuar. — Além disso, Sr. Vicente e eu mal começamos nossa vida de casados. Estamos curtindo nossa intimidade, vivendo aquela paixão de recém-casados. Por que essa pressa toda por bebês? Já que você tem tanta urgência, que tal se preocupar com sua própria cerimônia? Sendo tão tradicionalista assim, se não casar logo, nunca vai poder engravidar mesmo, não é?
As palavras morreram na garganta de Leonor. Como diabos Margarida conseguia acertar em cheio seus pontos mais sensíveis? Fosse falando de gravidez ou casamento, sempre dava no alvo. Principalmente considerando que Augusto havia adiado a cerimônia!
Augusto permanecia alheio ao rancor crescente de Leonor. Seus olhos continuavam grudados em Margarida, mas algo vacilou em seu olhar quando ela mencionou "intimidade" e "paixão de recém-casados".
Ele sabia bem que Margarida estava mentindo para provocar Leonor. Conhecendo a natureza puramente empresarial do relacionamento dela com Vicente, como poderiam ter qualquer tipo de vida íntima real?

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