— Espera... Sr. Vicente, o senhor vai mesmo procurar a polícia primeiro? — Perguntou Margarida, demonstrando sua surpresa. — Mas todas as famílias ricas sempre evitam qualquer tipo de envolvimento com as autoridades, não é? Elas acham que isso mancha a reputação e prejudica os negócios.
Margarida jamais conseguia esquecer daquele primeiro episódio na família Carvalho, quando a acusaram falsamente de roubar sapatos. Bastou ela mencionar que queria chamar a polícia para Augusto ficar com aquela cara fechada, olhando para ela como se fosse algum tipo de problema ambulante.
Mas agora Vicente queria tomar a iniciativa de procurar as autoridades.
Será que ele não se preocupava em prejudicar a família Almeida ou afetar a empresa?
Vicente respondeu com voz firme através do telefone, e Margarida podia quase sentir aquele homem elegante e frio sussurrando bem no seu ouvido:
— Marga, se eu ficasse de braços cruzados vendo você ser maltratada, aí, sim, eu estaria sendo desonrado de verdade.
Além disso, Vicente já tinha seus planos para quem havia causado o quase acidente de Margarida. Só que nos últimos dias ele estava tão mergulhado na felicidade de finalmente terem se entendido que acabou adiando sua vingança.
Já que Marina e Leonor estavam com tanta pressa de se meter em encrenca, Vicente não via problema nenhum em dar uma ajudinha para que conseguissem o que queriam.
Margarida ficou quieta do outro lado da linha, mas o rosto vermelho e o coração disparado entregavam tudo o que estava sentindo.
De repente, ela queria muito "estudar" com Vicente. Dessa vez, podia ser por várias horas mesmo.
...
Enquanto isso, depois que Marina teve o telefone desligado na cara, um péssimo pressentimento tomou conta dela.
Sentia que daquela vez sua tentativa de revidar poderia acabar se voltando contra ela mesma de um jeito muito pior.

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