Os olhos claros de Augusto brilharam por um instante atrás dos óculos de armação dourada, mas quando chegou perto de Leonor já tinha recuperado a tranquilidade.
— Leonor, eu amo você. Por que eu iria querer seduzir a Margarida? — Disse ele, com voz calma. — Naquele dia, quando interceptei a Margarida na porta do Grupo Almeida e falei aquelas coisas de duplo sentido, foi só porque eu queria a mesma coisa que a dona Marina.
O plano de Augusto era separar Margarida e Vicente para depois usar a Margarida em benefício de Marina e Leonor.
Ao ouvir isso, Leonor sentiu todas as dúvidas se dissiparem, mas ficou ainda mais desesperada.
— Se era isso, por que você não me contou antes? Assim eu não teria ido importunar a Margarida!
— Leonor, naquele dia eu tentei o tempo todo fazer você se acalmar para me escutar, mas você estava muito impulsiva. — Suspirou Augusto.
Leonor se sentiu envergonhada e não soube o que responder.
Relembrando aquele dia, ela tinha realmente ficado transtornada por causa da foto e dos comentários dos funcionários do Grupo Almeida. O pior é que ela sempre foi assim mesmo, quando ficava nervosa não escutava ninguém.
Marina ficou com a cara fechada. Naquele momento ela percebeu que a filha tinha passado informação errada, que a história de Margarida seduzindo Augusto era um mal-entendido e que elas tinham culpa no cartório desde o início.

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