Vicente a envolveu com seu hálito ardente numa investida avassaladora que forçou seus lábios a se abrirem, beijando-a com intensidade selvagem e possessiva.
Margarida mal conseguia respirar sob aquele beijo que fez suas bochechas pálidas ganharem um tom vermelho lindo como rouge.
Vicente a soltou antes que ela ficasse tonta, mantendo apenas um dedo de distância enquanto a encarava com olhos negros e profundos, dizendo com uma voz rouca:
— Marga, na verdade, todas essas coisas de hoje deveriam ter sido feitas por um homem.
Vicente estava feliz da vida com aquela declaração pública tão ousada de Margarida, mas sabia que mulheres que faziam coisas tão chamativas sempre vieram alvo de fofocas e comentários maldosos, podendo até ganhar o rótulo de "desesperada".
Vicente queria que Margarida o amasse, mas não queria que ela se machucasse por isso.
Margarida recuperou o fôlego depois daquele beijo e respondeu sem demonstrar preocupação:
— Neste mundo nunca existiu uma regra dizendo o que homens devem fazer e mulheres não devem fazer.
— Além disse, você já fez muito por mim antes e aguentou um monte de comentários. Então se você consegue suportar por mim, eu também consigo suportar por você. — Disse ela, se aproximando do peito de Vicente com determinação. — Além disso, eu não quero que você carregue todas as coisas ruins sozinho só para que eu tenha uma boa reputação.
Margarida se aconchegou no abraço de Vicente, as mãozinhas brincando com a barra da camisa dele.
— Sr. Vicente, você não disse que somos marido e mulher, que devemos ser um só? Então não importa se é bom ou ruim, eu quero dividir tudo com você, inclusive as críticas que recaem sobre você. Não seria melhor assim? — Perguntou ela, erguendo o rosto para encará-lo.
Vicente ficou sem palavras.
Ele sempre tinha caminhado sozinho, e mesmo após se casar com Margarida, só pensava em protegê-la da escuridão, mesmo que isso significasse ser engolido pelas trevas.

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