— Bem... Se não pode falar sobre isso, então deixemos para lá. — O assistente tentou mudar de assunto com dificuldade. — Sr. Augusto, já está na hora. Vamos procurar um médico para tratar sua mão.
— Não. — Augusto balançou a cabeça e, no momento seguinte, empurrou o assistente para longe, posicionando a mão ferida contra a borda afiada da cadeira de metal.
O assistente arregalou os olhos imediatamente.
— Sr. Augusto, o que está fazendo? Essa borda é cortante! Qualquer movimento em falso vai piorar tudo!
— E se eu quiser que piore mesmo? — Augusto respondeu com calma, voltando a olhar na direção por onde Margarida havia partido. Seus olhos por trás dos óculos dourados estavam suaves como água. — Margarida sempre diz que Vicente protege ela, que Vicente mima ela. Na verdade, eu sou igual a Vicente. Não há diferença alguma entre nós.
Carlos agora queria usá-lo como uma lâmina.
Embora Augusto não pudesse ter certeza do objetivo final de Carlos, sentia no fundo, que ele causaria um impacto devastador em Margarida.
Já havia machucado Margarida demais no passado. Daqui para frente, ele não queria mais a ferir, muito menos permitir que outros o usassem para prejudicá-la.
Se ele era uma lâmina, faria com que perdesse o fio, ou até mesmo se tornasse temporariamente um fardo. Não seria aquela uma forma de proteger Margarida?
— Se eu bater esta mão com força nessa quina, vai rasgar a carne. — Disse Augusto ao assistente. — Precisaria de pelo menos meio mês para sarar, não é?
— Sim, pelo menos meio mês... — O assistente respondeu com a voz rouca, suor frio escorrendo pela testa. — Mas Sr. Augusto, vai doer demais! Sua mão já está pior porque não foi tratada a tempo. Se causar mais danos de propósito e atingir os nervos, criando sequelas permanentes, aí, sim, será o fim!
Augusto não respondeu.

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