Lorenzo, completamente atordoado, arregalou os olhos ao encarar Vicente daquele jeito. Sem entender nada, apenas assentiu com a cabeça, obedecendo de imediato.
Se fosse qualquer outra pessoa gritando ordens assim, Lorenzo teria dado meia-volta na hora. Especialmente considerando o clima entre ele e Teresa, que já vinha sendo ruim pelas brigas e agora estava pior do que nunca, tanto que nem mesmo uma tempestade sobre outra parecia suficiente para explicar.
Só que era Vicente quem estava ali.
Sem nem questionar o que tinha acontecido, Lorenzo pegou o celular e se afastou para ligar para Teresa, torcendo para que ela não desligasse na cara dele.
Enquanto isso, Vicente ficou parado. Apoiado na mesa, tentava disfarçar o tremor que ainda tomava conta de todo o seu corpo.
Marcos entrou alguns minutos depois, atrasado por ter que segurar Augusto naquela confusão.
Vendo a cena, percebeu que não adiantava tentar ajudar Lorenzo, então se concentrou em acalmar Vicente:
— Sr. Vicente, com tudo o que aconteceu até agora, não dá para colocar toda a responsabilidade em você. Não tinha como prever.
Afinal, se eles soubessem que, depois de cinco anos em coma, Eduarda acordaria daquele jeito, completamente desestabilizada, teriam deixado alguém vigiando ela dia e noite. Não dariam nem chance de se aproximar de Margarida.
Mesmo assim, Vicente balançou a cabeça, os olhos vermelhos de tanta angústia.
— Não, Marcos. Eu podia ter evitado. Se desde o começo eu tivesse aberto o jogo, nada disso precisava ter chegado a esse ponto.

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