Então, num piscar de olhos, Leonor pareceu entender tudo de uma vez.
Mesmo não estando presente no encontro entre Augusto e Margarida, nem sabendo direito o que Margarida tinha dito para fazer Augusto desmaiar, que coisa boa uma víbora como Margarida poderia ter falado para Augusto?
Então, naquela noite, Leonor passou várias horas se produzindo com todo o cuidado. Mesmo sendo o hospital um local público, ela vestiu suas roupas mais sensuais, querendo finalmente consumar a relação com Augusto, sem querer esperar mais até a cerimônia de noivado.
Afinal, pessoas que se amavam, por que precisariam esperar tanto tempo assim?
Além disso, mesmo que Augusto tivesse machucado a mão, o resto do corpo dele estava perfeito, e a parte mais importante ainda funcionava direitinho, não é?
Mas para surpresa dela, Leonor acabou errando todos os cálculos. Ela simplesmente foi ignorada por Augusto e, mesmo quando caiu feio no chão machucando o traseiro, Augusto não demonstrou nenhuma pena por ela.
— Leonor, você me dá nojo. — Augusto tinha dito, com uma frieza de cortar. — Agora vou te falar na lata, desde o início, nunca gostei de você. Na verdade, desde o primeiro encontro, quando você começou a me seduzir sem nenhuma vergonha, eu já te detestava. Sem falar que toda vez que você me tocava, eu ia para casa e quase arrancava minha própria pele no banho!
Os olhos claros de Augusto estavam vermelhos de raiva. Pela primeira vez, ele tinha tirado os óculos na frente dela, falando entre os dentes com uma raiva contida.
Leonor tinha ficado em choque completo.
Por um momento, ela até duvidou se tinha pirado de verdade, senão por que estaria tendo alucinações e ouvindo Augusto dizer coisas tão horríveis para ela?

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