Margarida levou um susto, mas, antes que conseguisse reagir, um carro de luxo preto, familiar para ela, estacionou no espaço vago do outro lado.
Assim que a porta se abriu, desceu daquele carro um homem de beleza imponente, presença firme, com a postura de quem parecia ter nascido para comandar. Alto, vestindose com elegância, trazia no porte algo que chamava a atenção de qualquer um. Os olhos negros, profundos, carregavam um magnetismo que provocava um arrepio involuntário.
No instante em que ele apareceu, a tensão que pairava no ar minutos antes parecia ter simplesmente desaparecido.
A sensação de ameaça que Margarida sentira segundos atrás agora soava absurda, como se tivesse sido apenas fruto da imaginação. Ela percebeu que Caio já exibia novamente a expressão tranquila de sempre.
No mesmo momento, sentiu a mão firme de Vicente envolver sua cintura com um gesto protetor. Para ela, a presença dele sempre funcionava como um abrigo seguro, afastando qualquer incômodo.
— O que aconteceu agora há pouco? — Perguntou ele, num tom que não deixava espaço para evasivas. — Te vi um pouco diferente.
— Não foi nada... — Respondeu Margarida, comprimindo os lábios antes de lançar um rápido olhar para Teresa. A amiga, ao encarar Caio, parecia carregar uma culpa silenciosa. Sem se aprofundar no assunto, Margarida apenas balançou a cabeça, esboçou um leve sorriso para Vicente e mudou o rumo da conversa. — Eu estava só um pouco sonolenta, nada demais. Mas, Sr. Vicente, por que apareceu aqui de repente?
— Terminei tudo o que tinha para resolver e estava com saudade de você. Então, vim te ver. — Explicou ele, com a voz rouca.
Após um dia cercado por situações desgastantes, Vicente só queria estar ao lado de Margarida. A companhia dela era o único remédio capaz de acalmar o peso que carregava.

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