Mas e daí?
Desde a conversa com Vicente, Lorenzo já tinha tomado a decisão. Ele ia seguir o mesmo caminho do amigo, sem olhar para trás. Não importava se a mulher que ele queria não sentia o mesmo por ele. O que ele não podia era continuar vivendo como nos últimos dois anos, inseguro, se diminuindo e sempre ficando em segundo plano.
Chegava de esperar. Agora era hora de avançar, lutar pelo que desejava e, se fosse preciso, comprar a briga.
Quem sabia, do mesmo jeito que Vicente conseguiu conquistar Margarida, Teresa também não poderia acabar escolhendo ele? Imaginou a cena e até sentiu um certo entusiasmo. Seria como se todos os "segundos colocados" virassem campeões de repente.
Teresa, porém, nem desconfiava do que se passava na mente dele. Só percebia quando Lorenzo, novamente, começava a cutucar Caio com provocações por ele ainda não ter se casado. Para ela, Caio já estava passando por tanta coisa com os problemas de saúde que não merecia mais pressão.
Sem pensar muito, Teresa cortou a conversa na hora:
— Chega, Lorenzo! Para de falar besteira. O Caio é seu irmão! Pelo menos presta atenção em como fala com ele.
— Ué, estou até pegando leve. — Retrucou Lorenzo, visivelmente incomodado.
Cada vez que Caio recebia uma defesa de Teresa, ele percebia que não era coincidência. Na cabeça de Lorenzo, isso só confirmava que ela gostava mesmo era do irmão e ainda fazia de tudo para protegê-lo.
Só que desistir não constava nos planos dele.
— Amor, se não quer me ver discutindo com o Caio, então vamos embora. Vicente já levou a Margarida, e tenho que fazer o mesmo com você.
— E o Caio? Se a gente sair assim, quem vai cuidar dele? — Perguntou Teresa, com um tom confuso e quase aflito.
Foi naquele instante que ela se deu conta. Lorenzo a havia chamado de "amor" mais de uma vez e ela nem havia reagido. A falta de estranhamento a deixou ainda mais desconcertada.

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