Não houve escapatória. Dessa vez, Margarida não conseguiu se conter. A visão ficou turva de lágrimas, e a sensação era como se estivesse cara a cara com o próprio fim. Não restava mais nenhum fio de esperança, apenas um peso sufocante, que invadia tudo ao redor como uma enchente silenciosa e implacável.
Ainda assim, ela não se rendeu.
Mesmo quando a escuridão se fechou sobre si, a chama rebelde e a teimosia que corriam em suas veias a fizeram resistir, tentando lutar contra o abismo que a chamava. Mas o fim chegou rápido, rápido demais.
Com um estalo seco, as raízes da trepadeira finalmente se romperam. Num único segundo, o medo travou todos os músculos de Margarida, e então seu corpo despencou no vazio, completamente fora de controle.
— Vicente!
O grito escapou antes que ela pudesse pensar, carregado de desespero. E, no fio tênue entre o nada e a morte, havia apenas um nome, o dele, gravado no fundo de sua mente.
Então, quando tudo deveria se perder, algo aconteceu. Na fração de segundo em que caía, uma mão forte e ensanguentada agarrou a sua com decisão. O susto fez Margarida abrir os olhos de repente e, no meio daquele universo tomado pela escuridão, uma luz atravessou seu mundo.
— Vicente...
O nome saiu pela segunda vez, fraco, quase um sussurro, mas dessa vez carregava uma ternura infinita. Não era mais o som do desespero, mas sim de um reencontro que devolvia à sua alma um pedaço de esperança.
Porque Vicente realmente estava ali.

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