Mas, diante de Eduarda, Marina nunca revelou suas verdadeiras intenções contra Vicente, pois compreendia que aquela mulher carregava uma obsessão doentia por ele. E, como mulher, percebia que a rival não queria apenas derrubar Margarida por ódio ou vingança, mas sim porque sonhava em ocupar o lugar dela, tornar-se esposa do presidente do Grupo Almeida e desfrutar da riqueza e do prestígio que isso traria.
Por esse motivo, Marina se manteve sutil. Na superfície, ela se limitava a afirmar que queria apenas vingar Leonor, devolver a Margarida todo o sofrimento que a filha havia enfrentado. No entanto, no fundo, sua verdadeira meta sempre era Vicente, e nada lhe pareceria mais eficaz para destruí-lo do que arruinar por completo a mulher que ele amava.
Dessa vez, Marina havia conseguido um trunfo perfeito. Eduarda era a arma ideal. Desde que reaparecia, sequer precisava de incentivos para agir. Sozinha, ela gravava vídeos, espalhava tudo na internet e acendia um incêndio de proporções incontroláveis.
O celular de Eduarda não parava de pipocar com notificações, e ela, tomada por empolgação, deixou a voz subir de tom como se fosse impossível conter a euforia:
— Dona Marina, o time que você contratou é incrível! Eles estão brigando com os fãs da Margarida e não perdem terreno, pelo contrário, cada vez mais gente toma o meu lado! Aposto que agora a Margarida deve estar surtando de raiva a caminho daqui.
Marina pousou a xícara de café com calma estudada, os lábios curvados num sorriso frio que não deixava transparecer piedade alguma.
— Isso ainda é pouco. O que ela fez com a Leonor quase me levou à loucura como mãe. Uns boatos espalhados na internet não são suficientes para aliviar a minha raiva.
Eduarda estreitou os olhos, e o rosto magro brilhou de expectativa sombria.
— Pois é. Daqui a pouco ela vai aparecer aqui na cefeteria. Só que, desta vez, não podemos deixar ela voltar inteira.

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