— Sr. Vicente, o senhor pretende se divorciar da Sra. Margarida para se casar com a Srta. Eduarda?
— Exato! Eduarda é uma moça pura, e agora foi flagrada aos beijos com o senhor. O mínimo que pode fazer é assumir a responsabilidade! Do contrário, vai parecer um cafajeste!
As perguntas surgiam em coro, afiadas como lanças, empurrando Vicente para um único caminho, que era abandonar Margarida e assumir Eduarda. Mas o rosto dele estava mais frio do que gelo, e sua voz grave cortou o ar sem hesitar:
— O motivo de eu ter vindo aqui encontrar a Eduarda está diretamente ligado ao caso do meu sequestro de mais de dez anos atrás. Já descobri que a família Garcia colaborou com os criminosos que me sequestraram naquela época. A minha perda de memória e os sete anos que passei preso na serra não foram acidente nem destino, mas parte de um plano arquitetado entre eles e o verdadeiro mandante por trás.
As palavras ecoaram como trovões no cais, reverberando até no som das ondas. Os jornalistas, que segundos antes gritavam sobre traição e romance, ficaram boquiabertos, incapazes de formular qualquer réplica.
No fundo, sabiam que só estavam ali porque haviam recebido dinheiro de Marina para fabricar um escândalo. A missão era transformar Vicente e Eduarda em um casal proibido. Mas, diante daquela revelação, quem teria coragem de sustentar a farsa?
Eduarda não era uma vítima, mas era cúmplice de um crime contra ele. Apenas um insano acreditaria em algum tipo de romance entre vítima e algoz.
Vicente sabia exatamente o que estava fazendo e, mais do que lidar com a imprensa, queria que Margarida escutasse cada palavra. Em meio ao silêncio, ergueu os olhos e os fixou diretamente nela, falando com firmeza, cada sílaba carregada de intenção:
— Sei que todos vocês estão aqui porque foram manipulados. E, em outras circunstâncias, eu jamais precisaria explicar tantos detalhes a meros estranhos. Mas hoje a minha esposa está presente, e diante dela preciso deixar as coisas muito claras.

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