Como era de se esperar, Guilherme estava parado na porta do quarto, o rosto carregado de sombras densas, e a expressão rígida, marcada por linhas de fúria contida, deixava claro que havia ouvido cada palavra.
Os olhos, idênticos aos de Vicente, ardiam com um brilho cortante, quase assassino.
Leonor empalideceu na hora; a raiva que a inflamava segundos antes desapareceu como se fosse engolida pelo gelo. Naquele instante, percebeu sem margem de dúvida. Ela estava perdida.
...
Do outro lado da mansão, Marina ainda não fazia ideia do que acontecia. Depois de armar todo o espetáculo no cais, colocando Eduarda diante de Vicente e atraindo uma multidão de jornalistas para registrar a cena, passava um tempo cuidando de si.
Ela tomou banho, trocou de roupa, borrifou perfume caro, retocou a maquiagem. Queria voltar para casa como se nada tivesse acontecido, impecável, a perfeita dama da alta sociedade.
Mas o caminho de volta não trouxe a satisfação esperada. Com o celular firme nas mãos, aguardava ansiosa pela enxurrada de fotos que mostrariam Vicente e Eduarda "se beijando"; as manchetes explodindo; Margarida sendo esmagada pela opinião pública.
Dez minutos se passaram, depois vinte, meia hora, quase uma hora... e nada.
A internet permanecia em silêncio, as telas vazias. Nenhum repórter enviara sequer uma mensagem.
Marina começou a sentir um aperto no peito, a respiração falhando entre a impaciência e o pânico. Será que Vicente não foi até o cais? Ou, pior, teria escapado da armadilha, impedindo o beijo forçado e neutralizando os jornalistas antes que flagrassem qualquer cena?
Muitas hipóteses fervilhavam em sua mente, mas não ousou verificar nenhuma. Ela sabia que um passo em falso poderia denunciar sua participação e entregar provas diretamente a Vicente e, por consequência, às mãos de Guilherme.
Suspirou aliviada quando o carro atravessou os portões da mansão Almeida.

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