Naquela época, Marina ainda tinha se mostrado compreensiva, garantindo a Guilherme que havia tomado a pílula e que nunca lhe causaria problemas.
Tomado pela irritação e pelo peso da situação com Sofia, Guilherme não conferiu o detalhe. Ele sempre era meticuloso, mas naquela noite estava cansado demais para insistir.
Só que, um mês depois, Marina surgiu diante dele com um exame de gravidez nas mãos e, pior do que isso, deixou sem querer que a própria Sofia visse o resultado.
O que veio depois era fácil de imaginar. A esperança da esposa legítima se transformou em desespero e o alicerce da família desmoronou.
O olhar de Guilherme escureceu, a aura pesada de sua fúria parecia esmagar o ar em volta. Marina empalideceu, sem acreditar que ele traria à tona esse episódio que tentava enterrar no passado. Ainda assim, engoliu o medo e vestiu novamente a máscara de vítima, chorando com a voz trêmula e os ombros estremecendo.
— Guilherme, eu não quis te enganar. Aquela foi minha primeira vez, eu nunca havia tomado pílula antes, fiquei com medo. Achei que só daquela vez não teria problema. Só queria te acalmar, mas eu também não esperava engravidar logo na primeira vez!
Enxugou o rosto com as mãos, soluçando de forma dramática, a respiração entrecortada:
— Depois, eu não queria vir até a família Almeida com aquele exame, nem queria que Sofia visse. Mas o médico disse que eu tinha uma condição especial, que se interrompesse aquela gravidez talvez nunca mais pudesse ser mãe. Como eu poderia abrir mão do meu filho?

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