Por um instante, o silêncio tomou conta de tudo.
O clima que até então era de uma falsa harmonia familiar se dissipou diante da presença de Vicente, mergulhando a todos em um silêncio de gelar a espinha. Leonor, que estava confortavelmente encostada em Augusto, se ajeitou na cadeira, mudando de expressão na hora.
Mas quem realmente chamou atenção foi Guilherme, que ocupava a cabeceira da mesa, pois finalmente levantou os olhos para encarar o primogênito.
Marina percebeu imediatamente a mudança no ambiente. Mordeu a língua, mas, na cena seguinte, abriu um sorriso suave, levantando para receber o enteado.
— Vicente, que surpresa boa ver você por aqui hoje! Achava que nunca mais ia querer voltar para casa. Justo hoje, que por sorte estamos todos juntos jantando! Vem, senta com a gente, aproveita para jantar também. Ah, e se puder, dorme aqui esta noite. Seu antigo quarto já faz uns anos virou o closet da Leonor, mas avisei as empregadas para arrumarem o quarto de hóspedes para você!
Marina falava com aquela animação ensaiada, mas, nas entrelinhas, deixava claro que Vicente não era mais visto como parte da família Almeida.
A verdade é que Marina sempre detestou Vicente.
No passado, ela usou de artimanhas para engravidar e garantir seu lugar como esposa de Guilherme, mas em mais de vinte anos de casamento, nunca conseguiu do marido afeto verdadeiro.
Quando Vicente foi trazido de volta à família, tudo ficou pior. O filho biológico de Marina, que deveria ser o legítimo herdeiro Almeida, foi rebaixado a "ilho bastardo", graças a Vicente. Era algo que ela jamais engoliu.
Assim, Marina passou a investir ainda mais nas aparências, enquanto nas sombras fazia de tudo para expulsar Vicente da mansão, apagando todas as marcas dele e garantindo que tudo de melhor fosse exclusivo para seus dois filhos.

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