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A Amante que Virou Cunhada romance Capítulo 73

A luz morna do abajur jogava um brilho suave pelo cômodo, e o semblante de Vicente, tão frio e inacessível há instantes, agora carregava apenas a preocupação sincera enquanto ele segurava firme a mão de Margarida e verificava cada detalhe, ansioso por saber se ela estava bem.

— Você se machucou? — Ele perguntou com aquela voz rouca, a culpa pesando nas palavras. — Me desculpa mesmo. Não devia ter deixado você vir até aqui sozinha. Eu sou quem devia ter passado para te buscar.

Margarida apenas balançou a cabeça por reflexo. Demorou uns segundos até conseguir responder, pois parecia que, de repente, tinha até perdido a voz.

Não era a primeira vez que Vicente ajudava ela, mas nunca tinha ficado tanto tempo segurando sua mão assim, sem soltar um minuto. O mais estranho era que, diferente de antes, Margarida não sentiu desconforto, pelo contrário, quase que teve vontade de apertar ainda mais forte os dedos dele.

No fim, segurou o impulso e se obrigou a quebrar o silêncio:

— Não me machuquei, Sr. Vicente. E sério, não precisa pedir desculpa. Eu só fiquei receosa de você aparecer lá na família Carvalho, porque pode acabar escancarando nosso plano. Não é culpa sua não ter me buscado, de verdade.

No fundo, só estava passando por aquilo tudo devido às fofocas mentirosas do Augusto e daquela foto que ele espalhou. Se não fosse aquilo, ninguém estaria pegando no pé dela. Não tinha como botar a culpa no Vicente.

Vicente ficou em silêncio, apenas olhando para ela. Quando viu o jeito meio atrapalhado de Margarida, com as bochechas vermelhas de vergonha, acabou apertando a mão dela ainda mais forte. O calor daquele toque era tão intenso que Margarida até achou que fosse derreter ali mesmo, presa entre os dedos dele.

Ela tentou se soltar, disfarçando o constrangimento.

— Sr. Vicente, talvez seja bom você me soltar, né?

— Poxa, foi falta de atenção minha mesmo. — Respondeu ele, soltando a mão dela de repente, a voz saindo num tom baixinho e rouco. — Eu acabei te machucando?

— Não... — Margarida soltou um risinho nervoso, tentando deixar o clima menos estranho. — Mas me diz aí, Sr. Vicente, com tanta gente na rua, como foi que você conseguiu me encontrar tão rápido?

— Porque, para mim, não importa quantas pessoas tenham. Eu sempre vou saber onde você está.

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