Margarida ficou em silêncio de repente.
À medida que as palavras de Augusto ecoavam pelo salão, ela baixou devagar a cabeça, deixando que o cabelo escuro, liso e brilhante como seda, ocultasse boa parte do rosto e, ninguém conseguia adivinhar qual era a verdadeira expressão dela naquele instante.
Mas Augusto, atento, notou que pela primeira vez ela parecia lhe dar ouvidos, desistindo finalmente de continuar com as provocações absurdas.
Isso fez com que o público, antes envolvido no choque das declarações de Margarida, despertasse de novo e começasse a zombar, rindo do absurdo de tudo: inventar ter se casado com Vicente só para tentar atrapalhar a coletiva? Ainda bem que Augusto a desmascarava a tempo. Senão, tudo teria virado uma bagunça muito pior.
Então, inesperadamente, uma risada curta rasgou o ambiente, mudando todo o clima.
O som veio de Margarida outra vez. Ela ergueu o rosto calmamente, com um olhar muito mais frio e sarcástico do que antes, e, ao invés de admitir culpa, lançou palavras que soaram como tapa na cara:
— Augusto, de verdade... como você consegue ser tão ingênuo e, ao mesmo tempo se achar tanto?
Ela encarou Augusto sem hesitar e declarou:
— Vicente se casou comigo, e nem ele achou que precisava me manter à distância. Por que, então, você, que é só um espectador nisso tudo, acha que pode vir aqui posar de juiz da minha vida? E olha, não tenho nada para tratar com você em particular. Já sou sua cunhada e tudo o que eu tiver para resolver, vou dizer aqui mesmo, na frente de todo mundo. Assim, você não pode criar mais filme na cabeça, achando que gosto de você, ou dar margem para Leonor começar com aqueles surtos de ciúme ridículos de novo dizendo que tento te roubar.
O recado era direto. Tudo que Augusto e Leonor vinham espalhando por aí não passava de fantasia alimentada pelo próprio ego.

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