Kathleen estava tendo um sono agitado quando foi acordada pela presença de alguém. Seus olhos pousaram em Samuel, que estava de pé ao lado da cama.
Ela foi tomada pelo nervosismo e descrença ao ver que ele havia mesmo retornado.
Ele a observava de modo frio e condescendente. “Você está grávida?”
“Não. Quem te disse isso? Não acredita nos resultados dos exames?” Kathleen mordiscou o lábio inferior preocupada.
“Então o que você está olhando?”, retorquiu Samuel apontando para o tablet.
Kathleen comprimiu os lábios. “Prometi ajudar Gemma amanhã como voluntária numa instituição de caridade que atende crianças autistas. Acha errado que eu pesquise sobre o assunto de antemão?”
Isso conseguiu convencer Samuel.
“Que horas você vai sair amanhã?”, perguntou ele.
“Pretendo chegar às dez horas.”
Kathleen suspirou aliviada em segredo.
Foi por um triz. A gravidez quase foi descoberta.
“Você tem certeza de que não está grávida?”, Samuel reiterou.
“Claro que sim. Quando pulei meus anticoncepcionais?”, Kathleen falou sem emoção.
“Naquela viagem às fontes termais dois meses atrás.”, Samuel ainda se lembrava.
Bem, aquilo era verdade.
Kathleen decidiu ir às fontes termais por capricho, enquanto Samuel estava lá para fazer uma vistoria. Nem ela, nem Samuel tinham ideia de que o outro estaria lá e ambos se encontraram por pura coincidência.
Bastou um olhar de Samuel para Kathleen, que estava corada de modo sedutor e embrulhada em um roupão, para que ele a levasse para o seu quarto. No calor do momento, Samuel havia esquecido de levar o preservativo.
Ele raramente usava, na verdade, e dependia que Kathleen tomasse a pílula do dia seguinte. Depois da noite juntos, ele pediu a ela que tomasse o comprimido e saiu às pressas para o trabalho.
Kathleen estava tão exausta após os esforços da noite que não reagiu. Ela ignorou o lembrete, já que não estava ovulando e se esqueceu.
Samuel usou preservativo nas outras poucas vezes em que dormiram juntos. Por isso, ela não viu a necessidade de tomar os comprimidos. Porém, uma semente foi plantada em seu ventre e uma nova vida tomava forma.
“Você não estava por perto quando eu tomei meus comprimidos da última vez”, explicou Kathleen. “Vou tomar agora mesmo se você ainda dúvida!”
Kathleen tirou uma caixa de remédios de dentro da gaveta.
O comprimido estava quase nos lábios de Kathleen quando Samuel agarrou sua mão, interrompendo-a. “Tá, confio em você. Você não tem se sentido bem ultimamente. Tomar estes comprimidos pode causar mais mal do que bem.”
“Espero que os homens com quem eu sair no futuro não me deixem sofrer com isso, ao contrário de você! Tudo com que você se importa é o seu próprio prazer, independente dos meus sentimentos.”
Samuel se enraiveceu.
Será que agi de forma irresponsável? Ainda assim, é verdade que Kathleen tem que tomar os comprimidos como plano b.
“Você prefere ficar procriando sem os métodos contraceptivos adequados?”, argumentou Samuel.
“Se um homem me amasse de verdade, faria uma vasectomia.”
“Vai sonhando. Nenhum homem faria uma idiotice dessas.”
“Você está cheio de si mesmo com essas opiniões deturpadas. Juro que vou provar para você encontrando um homem bom para mim.”
“Acredite em mim quando eu digo que esses homens são meras invenção da sua cabeça”, banalizou Samuel.
Como ela ousa me comparar com um homem bom imaginário? O que há de tão ruim em mim? Kathleen recebe muito dinheiro para gastar. Além disso, as suas necessidades e desejos, tanto na cama como no dia a dia, são atendidos. Que mais há para pedir?
“Homens bons estão por aí aos montes. Não acredito que minha falta de sorte encontrou o único mau-caráter que existe”, irritou-se Kathleen.
“Isso significa que estamos destinados, então”, respondeu Samuel com malícia.
Kathleen ridicularizou: “Até parece! Maldita falta de sorte. Eu devia estar cega!”
A mente dela devia estar confusa com o desejo de tê-lo ansiado durante dez anos.
Samuel bufou aborrecido.

Ela tem o atrevimento de instigar minha raiva, para em seguida ir dormir como se nada tivesse acontecido. Ela não teria ousado agir assim no passado. Quando foi que ela se tornou tão corajosa?
Que coisa desagradável! É melhor eu me livrar disso. Como não sou um bom homem? Se um homem bom for definido por não permitir que ela não tome anticoncepcional, então que seja.
Como é possível existir uma mulher tão irresistivelmente adorável? Não admira que todos pareçam atraídos por ela. Principalmente o Christopher. A maneira como ele olha para Kathleen não é a de um simples amigo.
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