Kathleen se virou e olhou para o homem que vinha em sua direção. Ela perguntou: “Você é Frederick Evans?”
Frederick sorriu e disse: “Sim, sou eu. Há quanto tempo, Kathleen.”
Frederick foi seu vizinho.
Após a morte dos pais dela e a mudança para a casa dos Macari, ela não o viu mais.
Kathleen ficou surpresa. “Frederick, o que você está fazendo aqui?”
Ele parecia triste. Ele disse: “Minha filha está aqui.”
A filha dele?
Kathleen ficou espantada. “Frederick, a sua filha…”
“Autismo moderado”, ele falou com calma. “Eu a trago aqui toda semana. E você?”
Kathleen respondeu: “Estou aqui como um favor para Gemma, trabalho voluntário.”
Ele compreendeu e disse: “Ah, então você é amiga de Gem.”
Kathleen o lembrou de que deviam seguir em frente quando disse: “Vamos entrar.”
Frederick emitiu um som de aprovação e assentiu. Eles entraram na sala de aula que já tinha algumas crianças.
Seus pais os levaram ali.
Kathleen soube que a maior preocupação de parte das famílias com crianças autistas era o divórcio causado pelo estresse ou o abandono parental.
A esposa de Frederick, por exemplo, era uma dessas pessoas. Quando Madeline Evans foi diagnosticada com autismo, sua mãe quis se divorciar após seis meses resistindo.
Madeline tinha cinco anos e era uma menina delicada.
Devido ao autismo, ela não reagia ao mundo a sua volta e não interagia com as pessoas. Ela se sentava quieta num canto segurando uma Barbie nas mãos. Na verdade, a maioria dos autistas são quietos, desde que não fossem provocados.
Como eram quietos, não tomavam a ter iniciativa de dizer aos outros o que queriam ou quando não se sentiam confortáveis. Os pais levavam seus filhos lá porque os médicos eram profissionais e capazes de ajudá-los.
“Madeline, você quer água?”, Frederick se abaixou perto da menina e perguntou.
Madeline não reagiu ao pai.
“Madeline, o médico virá vê-la mais tarde. Não vamos gritar com ele como da última vez, está bem?”, perguntou Frederick.
Mais uma vez, Madeline não deu qualquer resposta.
Frederick suspirou.
Kathleen se aproximou e se colocou ao lado de Madeline, acenou com a mão e a chamou: “Madeline?”
Frederick suspirou e disse: “Não adianta, ela nem reage muito a mim.”
Inesperadamente, a menina ergueu a mão e olhou para Kathleen.
Frederick ficou espantado.
Kathleen abriu um sorriso gentil e disse: “Quando o médico chegar, vamos deixá-lo examinar você. Depois, eu farei um lindo vestido para sua Barbie, está bem?”
Madeline então baixou a cabeça novamente.
Frederick se animou no início, mas ao ver sua filha voltar ao seu estado costumeiro, desligada do mundo, ele se entristeceu. Kathleen sabia que era assim que crianças com autismo se comportavam.
“Está bem”, a menina enfim respondeu.
Frederick ficou pasmo.
Kathleen se encheu de alegria. “Promete?”
Ela estendeu o mindinho, enquanto Madeline fez o mesmo. Com isso, Kathleen fez uma promessa a ela e disse: “É uma promessa. Você vai deixar o médico examiná-la e eu vou fazer um vestido para sua boneca.”
Madeline assentiu.
Os olhos de Frederick se encheram de lágrimas.
Ele disse com a voz trêmula: “Kathleen, ela raramente reage às coisas ou às pessoas. Além de mim, esta é a primeira vez que ela responde a alguém que fala com ela.”
Aquilo era maravilhoso.
“Isso mostra que o tratamento aqui está funcionando”, explicou Kathleen.
Ela não pensou que seria o motivo especial.
Frederick cobriu o rosto, ele não queria que Kathleen o visse chorar. “Você tem razão. Contanto que ela melhore gradualmente. Ficarei muito feliz se ela demonstrar um pouco de resposta ao mundo exterior.”
“Doutor!”, a mãe da criança se desesperou.
O médico se apressou.
Madeline cobriu os ouvidos e começou a gritar também.
“Madeline!”, Frederick se assustou e estendeu a mão para segurá-la.
A menina, no entanto, chutou as mãos dele e se recusou a deixá-lo segurá-la. Ela foi para um canto. E, com os ouvidos tapados, continuou a gritar.
Kathleen se aproximou dela e disse: “Ei, Madeline, sou eu, Kathleen. Você vai ficar bem.”
Ela se debatia como o outro menino, caso continuasse assim ela poderia se machucar.
Kathleen abraçou-a e disse a Frederick: “O remédio.”
Madeline lutava de forma agressiva. Ela sabia que não conseguiria escapar, então mordeu a mão de Kathleen com força. A mulher sentiu dor, mas não afrouxou os braços.
Frederick levou o remédio e ajudou Madeline a tomá-lo.
“Está tudo bem, Madeline, ninguém vai machucá-la. Sou eu, a Kathleen”, ela tentou confortar Madeline enquanto a mantinha nos braços.
Após a medicação, e com Kathleen tranquilizando-a, a menina, aos poucos, se acalmou. O menino ainda gritava, mas o tom estava muito mais baixo.
As outras crianças foram um pouco afetadas pelo ocorrido. Enquanto a mãe do menino chorava de tristeza.
Kathleen sabia que ela devia ter dificuldades cuidando dele sozinha.
Seus olhos lacrimejaram.
Já era difícil para uma mulher cuidar de uma criança, quanto mais uma com autismo.
“Obrigado, Kathleen”, disse Frederick desculpando-se. “Me dê ela. Você devia se apressar e tratar a ferida.”
“Está bem”, Kathleen entregou a menina para Frederick.
Madeline, no entanto, segurou sua mão e disse com uma voz rouca e suave: “Eu não me comportei de novo, você ainda fará um vestido para minha Barbie?”
Kathleen não aguentou e lágrimas escorreram pelo rosto.

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