No dia seguinte foi o funeral de Vivian.
Todos os parentes e amigos da família Lewis compareceram.
Durante todos esses anos, todos pensavam que Vivian estava no exterior.
A família Lewis havia mantido todas as informações sobre ela em segredo, temendo que as pessoas descobrissem a verdade.
No entanto, após o suicídio de Vivian, tudo veio à tona.
Mesmo assim, ninguém jamais saberia o verdadeiro motivo.
Todos achavam que Vivian havia tirado a própria vida por causa de um amor não correspondido, mas não era isso.
Kathleen detestava cemitérios, tanto que começou a tremer assim que chegou.
Charles só percebeu que ela estava tremendo quando se aproximou e segurou seu ombro.
— Você está bem? — ele perguntou.
Ela assentiu em silêncio.
— Tentei ligar para o Padrinho ontem, mas não consegui. Ele só atendeu hoje de manhã e disse que não mandou ninguém para atacar Samuel. Não foi ele — sussurrou.
Kathleen mordeu o lábio. — Não acredito em nada do que ele diz. Vamos voltar depois de resolver tudo sobre a família Yoeger.
Ele concordou. — Tudo bem.
Vivian logo foi sepultada.
Ao olhar para o caixão, Kathleen sentiu o peito apertar.
Percebendo a expressão da irmã, Charles a envolveu em um abraço, pressionando sua cabeça contra o peito.
Ele sabia que ela se lembrava da morte dos pais deles.
As lágrimas dela caíram enquanto ele murmurava baixinho: — Me desculpe, Kate. A culpa é toda minha.
— Você é meu irmão. Eu faria qualquer coisa por você. Mas não posso deixar que façam mal ao Samuel — ela respondeu, mordendo o lábio.
— Vou te ajudar a protegê-lo — disse Charles.
Kathleen fechou os olhos e falou: — Escute, Charles. Samuel não pode saber disso. Nunca. Precisamos resolver logo os assuntos da família Yoeger e encontrar um lugar para a vovó ficar. Depois, voltamos para o castelo.
— Certo — ele assentiu.
O funeral de Vivian terminou, e todos começaram a deixar o cemitério.
Caleb se aproximou. — Você está bem?
Kathleen respondeu com a voz rouca: — Não gosto de funerais.
— Acho que ninguém gosta — ele franziu a testa.
Nesse momento, o telefone de Charles tocou.
Ele atendeu e gritou, surpreso: — O que você disse? O Samuel ficou maluco?
Ao ouvir o nome de Samuel, Kathleen ficou apreensiva. — O que houve, Charles? O Samuel está bem?
Caleb também parecia preocupado.
Charles respondeu com o rosto sério: — Samuel foi até a casa dos Yoeger e capturou Nicolette, que tinha acabado de sair da prisão sob fiança.
Kathleen ficou chocada. — Mas a família Yoeger está esperando um deslize dele. Acho que ele está tentando se vingar por mim e pelo nosso filho.
— O que vamos fazer? — Charles estava tenso.
— Vou ligar para Tyson e perguntar onde o Samuel está — Kathleen pegou o telefone e ligou para Tyson.
— Srta. Johnson — a voz de Tyson do outro lado soava apreensiva.
— Tyson, onde está o Samuel? — perguntou Kathleen, a voz trêmula.
— O Sr. Macari saiu sozinho de manhã. Srta. Johnson, acho melhor você não procurá-lo. Estou falando sério — respondeu Tyson.
— Por quê? O Samuel capturou a Nicolette, e se algo acontecer com ela, a família Yoeger vai fazer um escândalo. Vocês vão ficar de braços cruzados? — Kathleen estava inquieta.
— Não há nada que possamos fazer. Na verdade, o distúrbio de personalidade múltipla do Sr. Macari está se manifestando. Se as coisas piorarem, é melhor você ir embora daqui — Tyson enxugou o suor frio da testa.
— O que você disse? — Kathleen ficou atônita.
— Estou falando sério. O Sr. Macari tem transtorno dissociativo de identidade, e a segunda personalidade dele está no controle agora. Essa personalidade é destrutiva, e depois de lidar com a Nicolette, ele vai atrás de você. Então, acho melhor você pegar um avião e sair do país. Se esconda, não deixe que ele te encontre. Nós cuidaremos do resto, não se preocupe.
Que idiota! Como ele acabou desenvolvendo uma segunda personalidade? Droga! Eu não devia ter mexido com ele ontem.
— Você é mesmo a segunda personalidade do Samuel? — Kathleen ficou séria.
— Claro que sim. Gostaria de me encontrar? — O tom dele era frio e impiedoso.
— Sim. Onde você está? — respondeu Kathleen sem hesitar.
— Fico feliz que queira me ver. Acho que preciso trocar de roupa para recebê-la. Afinal, estou coberto de sangue — ele disse, indiferente.
— Samuel, você matou a Nicolette? Você enlouqueceu? — Kathleen sentiu um frio percorrer seu corpo.
— Você não quer que ela morra? Meu jeito de agir é diferente do dele. Embora ambos sejamos implacáveis, eu prefiro resolver as coisas com as próprias mãos — ele falou, com emoções indecifráveis.
— Droga! Se o Samuel for preso por sua causa, juro que vou acabar com você! — Kathleen gritou, furiosa.
Ao ouvir isso, Samuel riu. — Como acha que eu nasci? Foi por sua causa.
Um calafrio percorreu a espinha de Kathleen. — Onde você está?
— Estou no castelo. Você é esperta, deve saber onde é — Samuel sorriu de canto.
O castelo? Ele está falando da Spirit Villa? O lugar onde a Nicolette ficou presa?
— Apenas venha e não se preocupe com mais nada. Alterei as câmeras de segurança no caminho, ninguém vai perceber. Ah, e se contar para alguém, mato a Nicolette e me entrego — ele disse, a voz gélida.
— Tudo bem. Não vou contar! — Kathleen prometeu.
Assim que Samuel desligou, ela sentiu uma forte dor de cabeça.
Tinha um pressentimento ruim de que Samuel não estava fingindo.
Praguejando baixinho, ela foi direto para a Spirit Villa, temendo chegar tarde demais.
Ao chegar, viu o carro de Samuel.
A Spirit Villa estava em ruínas após o incêndio.
Ela analisou o local e desceu do carro para procurar Samuel.
Assim que entrou, viu Samuel descendo as escadas, vestindo um terno branco que o fazia parecer elegante e nobre como um deus.

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