“Desculpe-me, senhor, foi minha culpa. Por favor, não o culpe”, ela disse timidamente, envergonhada.
“Bem, já que está tudo bem, vamos nos retirar.” De qualquer forma, os policiais sabiam que não podiam se intrometer nos assuntos pessoais de um casal.
“Boa noite, senhor”, Kathleen se despediu educadamente.
Depois que eles entraram no elevador, ela voltou e encarou Samuel de forma desconfortável.
Ele tinha um sorriso forçado no rosto. “Humph.”
Kathleen aproximou-se e murmurou: “Desculpe-me.”
“Graças a você, fui interrogado pela polícia pela primeira vez na vida”, ele comentou indiferente.
Roendo o lábio, ela protestou: “Pensei que você já tivesse saído. A porta também estava aberta e achei que um ladrão havia entrado.”
“Você pensou?” ele repetiu, franzindo a testa.
“Eu…”, Kathleen não sabia o que dizer.
TAP!
Ele deu um leve tapa na testa dela e a alertou: “Dessa vez não tem problema. Desde que saiba que não deve ser imprudente, vou te perdoar, mas é só desta vez. Se isso acontecer novamente, vou quebrar suas pernas.”
Enquanto esfregava o ponto dolorido na testa, sua expressão era de pena e injustiça. “Você pode realmente me culpar? Pensei que estivesse com pressa para ver Nicolette e esqueceu de fechar a porta.”
Isso fez Samuel franzir a testa.
Ela está tentando se justificar?
“Pense nisso. Por que acha que escolhi este lugar como nossa nova casa?” ele perguntou, sombrio. “A segurança no térreo é bastante rigorosa. Você realmente acha que um ladrão conseguiria entrar? Por que não usa um pouco o seu cérebro?”
“Cautela nunca é demais”, ela insistiu. “Você acabou de dizer que não era um grande problema!”
Samuel soltou um suspiro. “Você realmente vai me fazer explodir de raiva um dia, Kathleen.”
Em resposta, ela inflou as bochechas. Ela parecia um filhote fazendo manha. Naquela noite, os dois estavam deitados na cama. Não havia muito movimento acontecendo.
Ambos não estavam cansados, mas também não estavam conversando um com o outro. Pelo contrário, estavam profundamente absortos em seus pensamentos.
No entanto, considerando que Kathleen estava grávida, ela não conseguia lutar contra o sono por muito tempo. Algum tempo depois, o telefone de Samuel tocou.
Claro, um toque de chamada tocou junto.
“Quem é?” ele exclamou. Havia uma expressão sombria em seu rosto. “Entendi. Já estou indo.”
“O que é, Sam?” Kathleen acordou com a comoção.
“Os seguranças do prédio acabaram de ligar. Darei uma olhada.” Sua resposta foi deliberadamente vaga.
Seus lábios se contraíram enquanto ele se trocava e descia as escadas. Ela notou que ele pegou seu celular e chaves do carro. Havia um sentimento perturbador em seu coração, então ela vestiu um casaco branco e o seguiu discretamente.
Quando Samuel chegou no térreo, viu Nicolette encolhida no sofá.
O clima estava frio do lado de fora e ela estava vestida apenas com uma camisola hospitalar.
“Nicolette”, ele chamou. Samuel se aproximou dela e imediatamente tirou seu casaco para envolvê-la.
“Samuel!” ela exclamou. Nicolette pulou e agarrou-se ao pescoço dele, enquanto soluçava: “Estou tão assustada. Tenho medo da quimioterapia de amanhã. O médico disse que meu cabelo cairá. Vou ficar feia!”
A respiração de Samuel ficou mais profunda e ele estendeu sua grande mão para bater levemente nas costas dela. “Como isso poderia acontecer? Você sempre foi linda.”
“Estou aterrorizada, Samuel. Você pode conversar um pouco comigo antes de voltar para casa?” ela choramingou.
Kathleen não é nada gentil! Ela não mede palavras para dizer o que pensa.
“Eu juro que não foi isso que eu quis dizer, Samuel”, Nicolette insistiu. “Kathleen deve ter entendido errado. Dê a ela uma explicação. Ficarei aqui esperando por você.”
“Não há necessidade disso. Irei levá-la de volta ao hospital.” Emoções complexas haviam tomado conta da mente de Samuel. “Lhe darei uma explicação adequada quando chegar em casa.”
Uma explicação? Será que Samuel realmente faria isso? Ele geralmente não se importava com coisas assim, mesmo que fosse um mal-entendido.
Nicolette lamentou ter deixado Samuel por três anos em uma tentativa frustrada de usar a psicologia reversa. Afinal, essa foi a única razão pela qual Kathleen teve a oportunidade de entrar em cena.
Assim que Kathleen chegou em casa, apoiou-se na porta e colocou as mãos na barriga. Sua voz estava engasgada pelos soluços. “Meu filho, me pergunto, mesmo se eu desse um ano inteiro para meu marido se decidir, ele conseguiria resolver seu relacionamento com Nicolette? Para dizer a verdade, a chance que lhe dei o impossibilita de retroceder em sua escolha. Sinto muito por ser uma mãe inútil. Eu nem posso lhe proporcionar uma família adequada. Peço sinceras desculpas. Prometo que darei todo o amor que você merece de agora em diante. Nunca farei você se sentir desamparado.”
Ela tinha plena consciência de que um mês passaria em um piscar de olhos. Portanto, teria que começar a planejar o futuro. Não podia mais se dar ao luxo de esperar que Samuel resolvesse tudo para só então começar a pensar no caminho à sua frente.
Isso seria demasiado complacente da parte dela. Então, ela ligou o computador e sentou-se em frente a ele. Após editar a imagem um pouco, enviou-a para Federick. Surpreendentemente, ele respondeu quase que no mesmo instante.
Federick: “Por que você ainda não está dormindo?”
Kathleen: “Estou me preparando para dormir.”
Federick: “Já está tarde. Você precisa cuidar de si mesma.”
Kathleen: “Sim, eu sei.”
Federick: “Haverá um congresso para pais de crianças autistas nesta tarde. Gostaria de ir?”
Kathleen: “Você está me convidando?”
Federick: “Não há nada de errado nisso. Para ser honesto, foi deles que tirei inspiração para minhas histórias. Quem sabe? Talvez, se interagir um pouco com eles, você experimente algo novo.”
Kathleen: “Claro. Eu vou.”

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