POV: LYRIC
Por algum milagre, Jace e Kael conseguiram conversar sem se matarem, embora a hostilidade fosse quase palpável no ar.
Aproveitei quando estavam profundamente envolvidos para me afastar um pouco e tentar ligar para o Alfa Zarek. Ele não atendeu. Liguei de novo. Nada. Ele não tinha meu número salvo, certo? Então não havia motivo para me ignorar…
À noite, as crianças apareceram no meu quarto para passar um tempo comigo. Marta tinha turno na TCH, então ficaram comigo até tarde. Brincamos, conversamos e, no fim, os dois adormeceram ao meu lado.
No dia seguinte, por volta do meio-dia, Jace ligou pedindo para encontrá-lo fora de Darkspire. Diferente do normal, sua voz não trazia nenhuma alegria, apenas irritação contida. Assim que encerrou a ligação, corri para encontrá-lo.
Estacionei ao lado do carro dele, e mal desci quando vi seu rosto. Estava furioso.
— Jace? Tem algo errado… — minhas palavras morreram quando ele avançou na minha direção.
O instinto me fez recuar até minhas costas baterem no carro.
— O que você fez, Lyric? — ele rosnou.
— O quê? — Meu coração disparou.
Ele chegou mais perto, olhos faiscando.
— Me responde! O que você fez!?
— Eu não sei do que você tá falando! Não fiz nada! — minha voz tremeu.
Mas então percebi. A raiva dele tinha outra cor. Não era só fúria. Era medo. Ele estava preocupado.
— Jace… fala comigo. O que tá acontecendo?
Ele tirou o celular do bolso e abriu uma imagem.
Meu estômago afundou.
Era eu. A antiga eu. Com a cicatriz.
Não era uma foto. Parecia um desenho incrivelmente realista, feito por alguém que me conhecia bem demais.
— Enquanto estava fora — Jace começou, a voz tensa — consegui me infiltrar em um grupo chamado Os Agentes. Pouca gente fala deles. Mantêm perfil baixo, mas têm poder sobre todo o nosso mundo. Quando algo sai dos trilhos, eles punem. Geralmente matam. A maioria os chama de Carrascos.
Meu corpo gelou.
— Saí quando percebi quão perigoso era. Mas, Lyric… agora eles estão atrás de você. — Ele apontou para a tela. — Da antiga você.


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