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A Babá e o Juiz romance Capítulo 30

Adriana me olhou como se eu tivesse feito de propósito. Eu fiz mesmo!

Dona Mirtes me fuzilou com o olhar. Alex veio lá do bar junto com os outros dois homens, ver o que havia acontecido.

As mulheres começaram a me criticar.

— Você é desastrada, garota!— Mirtes.

— Que menina louca!— Adriana.

— Meu Deus, que horror!— a mãe da juíza.

Alex me olhou como se soubesse das minhas intenções.

— Eu tenho certeza de que Bella não faria isso de propósito!— ele disse olhando fixamente para mim.

— Como não, Alex! Ela é maldosa! — Mirtes ficou indignada.

Alex me defendeu:

— Bella não foi contratada para servir, e hoje está de folga. Quem a mandou fazer esse serviço?

A mãe dele ficou sem jeito e mentiu:

— Filho, eu acho que Giorgia pediu para ela, porque é muita coisa para uma pessoa sozinha e elas se ajudam!

Alex fechou o semblante e me olhou falando:

— Vá Bella! Vá aproveitar a sua merecida folga!

Eu saí sem jeito, levando a bandeja, enquanto a bruxa mor, levava a juíza para se limpar. Giorgia foi chamada para ajudar.

Eu cheguei na cozinha desesperada.

— Theo, vamos colocar a comida na mesa, conforme prometemos para Giorgia e vamos embora daqui!

Theo veio me ajudar e quando tudo estava arrumado na mesa, e eu já pensava em sair, a surpresa veio pela escada.

Adriana descia vestida num dos vestidos da falecida que já havia sido doado para mim. Eu olhei para Giorgia que descia do seu lado, me olhando aflita, provavelmente foi ideia da mãe do Alex.

Eu olhei para ele e vi que estava incomodado com aquilo. Ele me olhava, disfarçando a admiração por ver aquela mulher usando a roupa da falecida.

Eu corri para o meu quartinho e peguei minha bolsa que estava em cima da cama. Depois saí pelos fundos da casa, desnorteada.

Theo foi correndo atrás de mim.

— Você viu? Elas mexeram nas minhas roupas! Ele ficou deslumbrado!— eu lamentava.

— Isso é coisa da sua cabeça, Bella! Eu já te falei o que eu penso!

Quando chegamos no carro, ouvimos a voz de Alex. Ele vinha correndo ofegante.

— Esperem!

Ficamos parados, esperando por ele, encostados ao carro.

Ele chegou perto e começou o sermão:

— A mim você não engana, Bella! Fez de propósito e quero que saiba que achei infantil da sua parte!

Eu me balancei sem lhe dar importância. Ele chegou mais perto me intimidando:

— A noite conversaremos!

— Não sei se vou poder voltar hoje mesmo!— eu disse para lhe provocar.

Theo ficou desesperado.

— Senhor, não se preocupe, eu a trarei de volta hoje, eu lhe garanto! — ele disse abrindo a porta do carro para mim.

Eu entrei enquanto dizia:

— Amanhã eu converso com você, Alex, vou chegar cansada!

Alex inclinou-se ficando quase dentro do carro.

— Quero você hoje no meu quarto, ou eu vou te buscar à força!

Eu dei de ombros segurando o riso.

— Vai lá cuidar da sua amiga! Ela está linda com o meu vestido!

Alex me beijou o pescoço e falou baixinho no meu ouvido:

— Você fica melhor nele!

Eu virei o rosto e quase nos beijamos.

— Sério? Eu fico?

— Sim, mas sem ele, ou sem qualquer outra roupa, fica muito melhor!

Nos beijamos, como se fosse o primeiro beijo e por um minuto eu pensei que estivéssemos no nosso quarto, sozinhos.

Theo pigarreou e nos assustamos.

— Até mais!— Alex falou sorrindo.

Eu acenei para ele e partimos.

Adriana via a cena de longe e voltou rápido para a casa, sem que Alex pudesse vê-la.

— Eu vi os dois se beijando!— ela cochichou para a dona Mirtes, sentada no sofá.

— Eu sei, eles estão se deitando!

Adriana ficou boquiaberta.

— Só tenho que lamentar!

Mirtes inclinou-se para cochichar:

— Não lamente, é só um caso à toa! Meu filho está sem mulher há muito tempo, você sabe da história!

Eu me surpreendi e fiz uma careta.

— Beleza!!!

Theo estava manso, estranho, sorrindo ao vento.

— É, você já percebeu o olhar dela? O andar, não sei, ela tem um cheiro femnino, suave!

— Theo, você está bem?

Foi nesse momento que ele desceu para o planeta terra.

— Eu? Sim, claro!

Eu caminhava na direção da minha casa e parei incrédula.

— Está apaixonado por ela? Ela é bem mais velha que você!

Theo revirou os olhos, divertido.

— A diferença entre eu e ela é menor do que a que existe entre você e o juiz!

Eu comecei a rir.

— Desculpe, é que chega a ser engraçado!

— Por que?— Theo não se conformava.

Nos deparamos com outra bruxa. Essa era a bruxa da escuridão!

Minha mãe estava encostada na porta me olhando com uma mão na cintura. Felippo que brincava na frente de casa, veio me abraçar.

Theo tirou alguns doces do bolso e o entregou.

— O que aconteceu?— Minha mãe quis saber.

Eu entrei passando por ela trazendo Felippo pela mão. Theo veio logo atrás.

Nós nos sentamos todos no sofá e Felippo começou a trazer brinquedos para mostrar para Theo. Enquanto isso, minha mãe me observava curiosa.

Depois de um tempo, ela não resistindo a curiosidade, falou seca:

— Felippo, chama o moço para dar uma volta aí fora que eu preciso falar com a sua irmã.

Ficamos a sós e ela insistiu:

— O que está fazendo aqui, ao invés de estar lá, na folga do juiz?

Eu suspirei desanimada, lembrando do almoço que estava acontecendo na casa dos Andradas.

— Mãe, eu acho que o seu plano não vai dar certo!– eu disse inocente.

Não deu tempo para eu me situar, e veio o tapa certeiro.

Eu senti a pele queimar e segurei o rosto, instantaneamente, com os olhos cheios de lágrimas.

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